TEM ESCOLA ACABANDO COM BONS ALUNOS

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Este artigo foi um dos que mais demorei a escrever, pois tive de pensar em diversas maneiras para falar o que percebo há anos, mas não tinha como provar. Mas, depois de analisar mais de 15 alunos, fazer observações, consegui chegar onde já imaginava, mas com mais segurança para mostrar.

Fiz uma comparação em duas escolas públicas, estão em um raio próximo. Recebem clientelas iguais em questão de camadas sociais. Muitas vezes, os mesmos professores contribuem com a aprendizagem nas duas instituições, mas, alguns, não ministram da mesma forma. Trabalhei nas duas escolas, aproveitei e acompanhei alunos que se transferiram de uma para a outra. Tanto da escola 1 para a escola 2, quanto da escola 2 para a escola 1.

O meio interfere o indivíduo, já anunciava os sociólogos há décadas. Muitas vezes, deixei de acreditar nesta tese, pois eu sou uma prova viva que quando queremos, conseguimos driblar o meio. Já estudei em diversas escolas, já conheci diversos tipos de estudantes. Sempre estudei em escolas públicas e, em algumas delas, muito violentas. E sabe o porquê que não fui influenciado? Por causa de professores. Eu estudava para ter uma válvula de escape. Minha família tinha diversos conflitos eminentes e eu, apenas, era uma criança e, depois, jovem. Quem poderia me ajudar? Claro que não seria o Chapolin Colorado, mas estes professores. Pois, sabiam visualizar e dar a oportunidade em que precisávamos. Eles não salvaram todo mundo, mas conseguiram salvar alguns e isso já é uma vitória.

Professor não foi feito para salvar ninguém. Não somos os salvadores da pátria. E o aluno precisa de muito mais para ter êxito em sua vida. Mas, será que podemos dar apenas uma coisa? Atenção.

Eu, quando aluno, não tinha uma atenção necessária em casa, e, quando eu chegava na escola, gostaria de atenção, mas a atenção que digo é a valorização dos meus atos. Em casa, não tinha uma valorização dos meus atos, tudo quanto fazia era errado, mas na escola, tinha professores que me mostravam que eu tinha valor ali.

A escola em que eu me identifiquei, foi aquela que me mostrou o que eu poderia fazer além do que imaginava. Todos me olhavam, desde a direção até aos servidores gerais. Eu tinha um respeito. A escola, com este procedimento, diminuiu a criminalidade. Jovens querem ser ouvidos e direcionados, mas por professores em que eles admiram. Não por aqueles que estão frustrados em sala.

No início deste artigo, citei duas escolas e vamos entender sobre elas. A escola 1 é de uma pequena cidade do interior. Nela, há décadas, vem com Diretores descompromissados. A titular era efetiva. Tinha uma vice-diretora direcionada e duas coordenadoras designadas. Ou seja, apenas a diretora era efetiva. Mas, perto de sua aposentadoria, ela vivia em casa, deixando a responsabilidade para a vice e seus coordenadores, que não podiam delatar, pois poderiam voltar para a sala de aula. Assim, aturou a ausência da diretora e não tinham visão educacional. Com isso, os professores efetivos, começaram a ministrar aula do jeito que quiseram, pois a coordenação não tinha “autoridade” para cobrar algo deles, pois os mesmos podiam ficar irritados e denunciar o ocorrido. Após, a diretora conseguiu a aposentadoria, e isso já havia passado em torno de dois anos, a vice assumiu como interina e começou a fazer o mesmo: ausentava-se das suas funções. Designou uma outra amiga para a função de vice, que mais uma vez, continuou o ciclo de ausências. A escola desmoronou. Sem rumo, sem perspectiva, a coordenação acabou sendo uma ilha, e o mal humor tomou conta desses coordenadores, tendo de segurar uma escola, sem ser o seu papel. Isso refletiu na escola. Professores mal humorados, alunos desmotivados. Alguns professores e os coordenadores começaram a adular alunos que têm parentescos trabalhando na instituição e isso motivou uma demanda de desastres na escola. De 30 alunos que saem da escola, 25 não querem retornar nem para fazer um projeto paralelo. A escola se transformou em um fardo. Pichações por todo lado, as cores da escola nos mostram uma frieza incalculável.

Vamos a escola 2: a diretora é efetiva, o vice-diretor é designado como os coordenadores. Parece a mesma situação da escola 1, mas a diretora ainda está lá há anos. A diferença? A diferença é que a diretora é presente. Cuida da escola como se fosse a sua casa. Gosta do que faz e nunca se ausentou, mesmo com uma maratona de terapia oncológica. Os alunos a respeitam, pois sabe que ela fica em cima dos professores para fazerem um bom trabalho. Respeita os alunos, acompanha os trabalhos dos professores e, quando chega algum professor que não quer fazer o seu ofício de maneira correta, ela realmente fica “em cima”. Muitos não conseguem continuar e se afastam, outros, entram em sintonia. A fama da escola 2 é: Se pegar aulas lá, você vai ter que rebolar. Nesta escola, a coordenação gosta do que faz e faz apenas o que é de seu ofício. A coordenadora conhece a rotina e é admirada pela equipe de professores. Isto significa: um equilíbrio no ciclo aprendizado.

O título deste artigo é: tem escola acabando com bons alunos, é aí que chegarei. Espero que esteja acompanhando o meu raciocínio.

Em um dos alunos que acompanhei estudou na escola 2 por dois anos, veio de uma escola anterior com boas notas. Na verdade, a escola o chamou de o melhor aluno da escola. Nestes dois anos que passou na última, era elogiado pelos professores. Ele fez a Olimpíadas de matemática e ficou entre os finalistas para a segunda fase. A escola, direção e coordenação, elogiou-o. Imprimiu as provas anteriores para treinar. Chamou alunos bons das séries sequenciais para tutorá-los. O incentivo e a admiração da equipe para com os alunos motivaram-nos ainda mais. A escola e os demais alunos prestigiavam esses “nerds”. O ambiente contaminava e outros alunos acabavam ingressando no estudo para, também, serem ouvidos ou terem atenções.

Este aluno, por motivos familiares, teve de mudar para a escola 1. Ele chegou animado. Achou que poderia se dar bem. Ao chegar, respondia todas as perguntas, até que um professor disse que ele era exibido. Além dos alunos que ali estudavam não tinham admiração a estes alunos, pois haviam menos de 15% dos alunos com níveis de estudos. Mais uma vez, chegou a Olimpíadas de Matemática e ele prestou e passou para a outra fase. A escola não disse nem um obrigado. Pelo contrário, mostrou que os alunos fizeram mais que suas obrigações. Ele foi até a coordenação pedir a impressão das provas anteriores, e com o mal humor instalado, tratou o aluno com desdém e disse que não tem como imprimir. E que se ele quisesse que imprimisse. Agora, aluno de escola pública, muitas vezes, não tem nem o que comer, quanto mais uma impressora. Ele desanimou. A escola prestigiava apenas alunos que caminhavam para o esporte. Levavam alunos, todos os anos, para competições extraclasses. Ao ganharem, alunos eram homenageados. O aluno que era considerado o melhor, foi para o esporte. Abandonou os estudos. Ele entendeu que se fosse bom no esporte seria, mais uma vez, o centro das atenções. Até foi, mas não teve o equilíbrio e ninguém prestou atenção nisso.

Ele estudava, tirava boas notas no início, mas os professores davam aulas medíocres e provas sem sentidos. Uma vez, a classe inteira foi ruim, a professora de matemática colocou o gabarito na lousa e aplicou a mesma prova. Com esta ação, ele, mais uma vez, entendeu que não precisaria estudar.

A mãe do menino identificou a queda e procurou a escola.  Ao chegar lá, havia uma substituta na direção, pois a diretora estava de licença e sabe qual a fala da mesma: “eu não posso fazer nada. Sou professora e estou como eventual na direção. Eu sou a substituta da substituta. Não tenho poder. Desculpe, mas se não está contente com a escola, leve-o de volta para a outra escola.

A mãe não foi mais às reuniões. Perdeu o controle com o filho. Pois, na mente dela, o estudo era mais sério. Mas a escola não dava tarefas e, quando dava, não cobrava. O filho queria jogar e ela começou a proibi-lo. A revolta foi para dentro de casa. A mãe não entendia o que estava acontecendo. Não compreendia o que estamos compreendendo. O aluno do melhor foi para o pior. Os professores alegaram que a culpa era da mãe que não soube educar. O aluno, agora, caçoa dos professores. Bate em colegas. A situação fugiu. E agora? Quem vai pará-lo?

Isso tudo que aconteceu com este aluno, também aconteceu com outros. De todos que acompanhei, houve uma piora depois que entrou na escola 1.

Analisei o contrário. Um aluno que tinha um ritmo descontrolado na escola 1, porque já vimos como funciona a escola, foi para a escola 2. Nos primeiros dias, o aluno foi enviado diversas vezes para fora. Tinha as mesmas ações do aluno em que citamos acima. A direção chegou junto. E, aos poucos, depois de muito trabalho, o aluno entrou na linha do estudo, pois a sala dele não dava abertura para brincadeiras. Ele passou a ser visto e valorizado. Seu comportamento melhorou. Então, como um aluno ruim se tornou bom?

Quando escrevia este artigo, uma sensação de impotência culminava minha alma. Minha vontade é ir até a escola e chacoalhar a equipe inteira e expulsar os que estão cumprindo tabela.

Quero dizer que a escola é o reflexo da direção. Sua visão é importante para o andamento da instituição. Se a direção não valoriza os profissionais, não os acompanha. Então, não tem “moral” de cobrar alguma coisa. Alunos vão os enfrentar, porque sabem da deficiência e querem ser vistos. O que fazer?

Diretores e coordenadores, olhem seus professores. Valorizem os alunos ao estudo. Mostrem que o que tem para passar é essencial para eles chegarem aos seus sonhos, e se eles não tiverem? Mostrem como é bom sonhar!

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