QUAL SERÁ O PAPEL DA ESCOLA?

PARA QUE SERVE A ESCOLA? – PARTE 1

 

Antes de iniciarmos o nosso Bate Papo desta semana, quero dizer que este é o primeiro de algumas partes de reflexão sobre o papel da escola, do professor e do projeto Escola Sem Partido. Espero que leiam, reflitam, comentem e compartilhem! Para não perder os próximos artigos – curta minha página no Facebook. – Clique aqui

PUBLICIDADE

Este ebook traz os artigos de maiores sucessos do professor. Baixe agora na Amazon. Clique aqui!

wpid-fb_img_1447713501331.jpg

É comum esta pergunta nos dias de hoje, mas a resposta nem sempre foi fácil. Em todas as palestras que me apresento ou cursos que leciono, a pergunta é sempre a mesma: para que serve a escola? – Além da pergunta, é mais comum ainda vir com uma avalanche de comentários negativos sobre o papel dela ou como ela está desvalorizada ou desacreditada, se formos mais longe.

O que importa para nós não é o papel dela, mas o nosso papel. O que importa não é o efeito que ela faz, mas o nosso. O que importa não é se tem ou não condições, mas se temos condições. Claro que tudo importa, mas não hoje e nem neste artigo. O que quero explanar é que antes de acreditar no papel da escola, será que você, professor, acredita em seu papel? Sabe para que serve o professor?

Se buscarmos o papel da escola em nosso contexto histórico, constataremos que apenas os mais privilegiados em classe social tinham o direito da escola. Esta tinha o papel de dar ao aluno o conhecer, o saber. Ou seja, a escola dava ao aluno uma visão diferente de enxergar a vida e de continuar em seu patamar de vivência. Trazendo uma manutenção de classes, onde o conhecimento era permitido apenas para os nobres, e a ignorância aos pobres.

Com o mercantilismo, com a subida da classe burguesa ao topo da pirâmide social, teve de se pensar em uma expansão da escola. Tinha se a ideia de que a partir do momento em que se frequentava, teria mais condições de manter o padrão de vida estabelecido pela família. Além de entender de diversos assuntos, conseguindo perpassar em diversas situações, pois após e com o Iluminismo, a razão era mais valorizada, dando mais sabedoria aos educandos sobre a vida e sua formação.

No Brasil, sabemos que a escola chegou não para formar ou elevar os nativos a uma posição melhor no contexto social, mas de integrá-los em um novo mundo trazidos pelos estrangeiros (tema do nosso próximo artigo). Além de não cultivar a razão como elemento modificador, mas a fé, por isso os Jesuítas dominaram a educação pública por muitos anos. Com o passar do tempo, vimos a escola sendo repartida e, de uma maneira até preconceituosa, modificando a nossa sociedade.

Isso foi mudando e alterando, mas chegando mais uma vez na mesma, a elite contendo os estudos em uma Educação mais qualitativa e os pobres em uma quantitativa, mas será que ambas estão fazendo o seu papel? Continuamos, infelizmente, repartindo a classe social e dando ferramentas diferentes para a manutenção da nossa própria sociedade, onde os ricos continuam usando a Educação para se manterem ou multiplicarem seu orçamento financeiro, e os pobres para apenas se envolver em um sistema complexo braçal e de extrema visão tecnicista da vida.

Isso precisa mudar! Entendo que a escola tanto a classe social mais rica quanto a pobre precisa ajudar a transformar. Os mais desfavorecidos precisam entender que a instituição escolar é a única que poderá fornecer ferramentas para transitar entre as classes sociais e conseguirem chegar onde querem. O conhecimento era um privilégio a poucos, mas hoje isso precisa ser quebrado. Por isso indaguei desde o princípio que não importa qual o papel da escola, mas o papel do professor. Ele é o agente direto para transformação. Então, o que está faltando para isso acontecer?

Estamos vendo uma desvalorização tamanha do papel do professor, mas para os mais elitizados, a escola é o único caminho para dar o sucesso pretendido aos seus filhos. O conhecimento não é almejado como o fim de todo o processo escolar, mas o início, porque para a eles, isto leva ao ter. Você terá muitos benefícios. Já para os pobres, principalmente para os pais, é o caminho para “ser” alguma coisa. Acreditem, os pais dos alunos ricos ou pobres ainda acreditam na Educação, cada um com seu posicionamento.

Com toda esta discussão, percebemos que a grande maioria dos alunos da rede pública ou privada estão sendo questionados pelos professores, pois estes relatam que a falta de comprometimento para com os estudos está geral e que lecionar está cada vez mais difícil. Em muitos estados, a grande parcela de professores jogam a culpa em seus sistemas, alegando que não podem reprovar o aluno e por isso não há mais o estudo necessário, pois o mesmo sabe que será levado a série seguinte mesmo sem saber. Mas será que esta é a única explicação?

A escola tem de ter o papel de libertar o aluno. Tirá-lo de seu “mundinho” e dar a ele diversos “mundos” para que ele possa escolher qual será o seu e também poder transitar entre eles. Na Índia, mesmo com o problema de castas, onde muitos entendem que mesmo com estudo poderá subir o patamar de vivência e não de influência, há uma valorização constante com o conhecimento. Entendem que a escola é um meio de transformação no sentido de conseguir sua sobrevivência de maneira decente e continuativa, mas no Brasil, a ideia que se tem é que a escola serve para nada. Os alunos vão por serem obrigados pela lei e quando pergunta para que serve a escola, nada respondem e se respondem a conclusão que se chega é para se relacionar socialmente.

Será que a escola no Brasil é usada como meio de manobra massiva? Por isso chamo a figura do professor como a mais integrativa e importante. Os alunos chegam todos diferentes e, ao que parece, saem todos iguais, mais parece uma fábrica onde moldam ações, valores e princípios. Talvez esta fábrica esteja em ruínas e por isso a proposta devastadora da Escola sem Partido.

Precisamos entender que nosso papel é fundamental para trazer mudanças reais à nossa sociedade. Podemos elevar o aluno ao seu patamar de direito, onde todos são iguais. Isto significa de não transformar a todos em meros zumbis de um único lado, mas dar a ele opção de enxergar o que estão fazendo e mudar sua realidade.

Em escolas particulares se vê alunos preocupados com os vestibulares. Ainda temos um estudo mínimo por causa deste selecionador. Agora, se tirarmos isto, o que será de nossos alunos? Será que ainda existirá um estudo? Na escola pública, graças ao ENEM, conseguiu mostrar à classe que o caminho poderá ser mais democrático para se chegar onde querem, mesmo assim, poucos jovens vão para a área acadêmica, sendo jorrados, mais uma vez, para a área técnica. Pode isto?

Tudo pode. Desde que apresentemos os “mundos” aos alunos. Se entenderem que a única alternativa é X, sabem que para chegar, muitas vezes, não precisam da escola básica, mas depois do seu esforço. Agora, se apresentarmos todas as alternativas, a “briga” será maior e consequentemente a euforia de chegar mais longe vai instalar, dando valorização ao professor.

Estamos em um mundo capitalista, onde o maior passa por cima do menor e não terá espaço para sobreviver, ninguém conhece e descobre o caminho das pedras sozinho. Eles (alunos) precisam de nós. Somos os guias irrefutáveis de seus caminhos.

Talvez esta desvalorização seja fruto da globalização e tecnologia, onde que as informações e conhecimentos são dados em vários meios, como TV, Internet e livros, dando ao aluno a visão de que não precisa do professor, pois antes disso, apenas o professor tinha acesso ao conhecimento e transferia aos alunos. Temos de mostrar que estão errados, assim mostramos o nosso papel. Não temos o dever hoje de transferir conhecimento, mas de mediá-lo. O professor serve para trazer o conhecimento em questão e orientar o caminho para que ele use quando necessário para chegar aos seus sonhos.

Não adianta brigar, querendo impor nossa visão, que pode estar ultrapassada, pois tínhamos essa Educação: de que o professor detinha o saber. Hoje não é mais isto. A sociedade mudou, os tempos mudaram e a escola ainda não avançou por pensamentos arcaicos que limitam seu progresso. Temos de avançar e mostrar que o conhecimento está palpável a todos, mas o que fazer dele, só nós, professores, ainda temos a visão de como usar para chegar lá.

Juntos por uma Educação de qualidade e uma boa Literatura

%d blogueiros gostam disto: