PROFESSOR, VOCÊ PODE MANDAR O ALUNO PARA FORA. QUER SABER COMO?

COMO MANDAR O ALUNO PARA FORA?

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Ano passado, recebi vários e-mails de coordenadores me pedindo orientações de como proceder com professores que colocam o aluno para fora, além de professores relatando que colocam o aluno para fora e a gestão coloca o aluno de volta para a sala, alegando ser direito dele. Já vi professores deixando a turma no meio de aula, porque o aluno foi colocado de volta para a sala, ou porque não tiveram coragem de mandá-lo para fora, pois a orientação da gestão é não enviar.

Já fiz um artigo ano passado falando que quem manda na sala é o professor, mas orientei que as normas estabelecidas por ele devem caminhar junto à visão educacional da escola. Mas o que fazer com este caso?

Realmente, é direito do aluno assistir às aulas, mas é direito da escola de dar a ele uma qualidade destas. Não se aprende com uma sala bagunceira ou com aluno que vire e mexe está chamando a atenção de seus colegas. Chamar pais, já disse aqui que é em último caso. Então como estabelecer o equilíbrio?

Antes de mais nada, o professor tem de mostrar aos alunos que sabe seu conteúdo e que os mesmos têm muito a aprender com suas aulas. Experiência e vivência comprovada: quando o educando percebe que o professor sabe muito o seu conteúdo, o respeito é perpetuado e antes de lhe atacar, ele pensará duas vezes.

Após, o professor tem de seguir a visão educacional da escola, mesmo que a mesma esteja equivocada, é mais seguro e confiável para realizar o nosso trabalho. Perceba e raciocine comigo: Se não seguir a visão da gestão, você vai ficar na saia justa com o aluno e, consequentemente, perder o respeito da classe. Aluno consegue enxergar a hierarquia e se ele sonhar que há um desconforto entre a gestão e você, ele usará para combater o seu comprometimento. Ou seja, se chegar firme para a aprendizagem, qualquer falha sua, ele comunicará a direção que já estará receosa com você, pois sabe que não compartilha de seu modo de direcionar a instituição. Resultado: VOCÊ, PROFESSOR, É E ESTÁ ERRADO.

A indisciplina tem de ser combatida com todos, pois a responsabilidade do aluno é e sempre será de todos. O diretor que diz ao professor que é para ele resolver a indisciplina em sala e não quer que mande alunos para eles, pode considera-lo fraco e sem confiança. Ele já diz isso, porque não consegue resolver o problema, caso venha muitos para ele e nada se resolve, muitos alunos enxergarão isso e poderá começar um verdadeiro caos na escola. Vão “passar” por cima do diretor e a escola não terá ninguém para salvá-lo. Se o diretor não tem o perfil de “chegar junto”, ele precisa rever alguns pontos, como: ter um vice ou coordenador que consiga fazer este papel de “segurar” a escola com pulso de ferro.

Mas, como e quando eu mando o aluno para fora? Pergunta como esta, vem assombrando muitos. Porém, segue alguns caminhos para você não se dar mal nem com a direção e nem com a gestão.

1º – Em seu primeiro dia de aula, mostre aos alunos quem é você, seu gabarito e sua visão educacional. Quando se apresentar, mostre que todas as suas ações são para ajuda-los a chegarem onde querem. Muitos alunos da rede pública entendem que não querem um nível superior, mas a ideia é mostrar que o sonho dele, é o seu. E, durante o ano, vá o transformando e mostrando que o nível superior é o melhor caminho para ele crescer intelectualmente e financeiramente. Muitos dizem não querer nada, pois vem de uma realidade onde não se tem nada. Não tiveram e experimentaram o gosto de ter algo com a valorização do seu esforço.

2º Não grite com aluno: Sabemos que não é fácil segurar um grupo de 30 ou mais alunos em sala, mas gritar não é o melhor negócio. Experiência também. Ao gritar, dá o direito de receber o grito de volta e ainda ouvir a frase; Nem minha mãe grita comigo…

3º Ande pela sala, olhando aos olhos dos alunos, mostre que está vendo tudo que ele está realizando.

4º Descubra quem é o líder da turma, tanto o positivo quanto o negativo. Aproxime-se dele e saiba do que ele gosta e compartilhe novidades neste ramo: Vai ganhar um amigo e menos dor de cabeça com a indisciplina.

5º Quando entrar na sala, deixe a porta fechada. Acalme os alunos, após abra para a direção entender que a sala está sendo bem dominada.

 

O que todos estão pensando é que estas ações ainda não indicaram como colocar o aluno para fora, mas dará a você menos trabalho, menos indisciplina e mais “cobertura” pela gestão quando mandar um aluno para fora.  A ideia é passar que tudo que você está fazendo é o correto, pois faz sua função embasada no melhor para o educando.

Fazendo tudo isso, ainda haverá aluno que o desafiará. Já tive vários. Mas chegava um momento em que os mesmos sabiam que não se podem ir a fundo na indisciplina. Uma vez, um aluno gritou comigo, como se eu fosse seu filho. Olhei o firmemente, vários alunos ficaram com olhos esbugalhados, sabendo e imaginando que agora “o bicho pegou”, outros ficaram sem reação, esperando minha atitude. Olhei, parei, respirei, abri a porta e disse: quer ir espairecer? Vá lá fora, respire fundo e depois volte. O mesmo gritou que não sairia da sala. Mas, aquelas ações citadas acima, eu faço com muita dedicação. Não bati boca, nem fiz questão que o mandasse para fora. Era isso que ele estava querendo. Voltei em si, continuei a explicação. Por que eu fiz isso? Porque os alunos me consideram um bom professor, diferentes de muitos que tiveram. O rapaz que gritou, ele quem ficou em uma saia justa, pois os alunos da sala e o líder deles não apreciaram o que ele fez. Isolei-o de tal maneira, que uma semana depois, ao passear pela sala explicando, ele me chamou e pediu desculpas. Sorri e disse: Tudo bem, tem dias que não estamos bem, mas se está com raiva, tem o direito de estar com raiva, mas não tem direito de ser cruel. Eu o valorizo. Eu poderia te mandar para fora, fazer boletim, chamar a mãe, mas não fiz. Porque sei que és um bom garoto.

Agora, quem ganhou?

Um dia, em uma escola, quando havia iniciado a lecionar, não tinha muita prática. Um aluno conversava muito quando eu estava explicando. Era uma escola particular. Chamei a atenção uma, duas e três vezes. Não aguentei, mandei o aluno para fora. Ele foi e sabe qual é a primeira coisa que eles dizem a direção? Que outros estavam conversando, e eu não ia com a cara dele. Recebi uma ligação da mãe dizendo que não era para eu mandar seu filho para fora de novo, porque ela paga a escola e a mim. Que Língua Portuguesa é muito importante e quem pagaria ou daria aula a ele do conteúdo que perdeu? Ri. E respondi que se o mesmo, o filho dela, tinha esta concepção que a matéria é importante? E que do mesmo jeito que ela paga, as mães de outros alunos também. E as mães dos outros não pagam para ouvir o seu falar, pagam para me ouvir falar. Se apenas o filho dela estivesse sendo prejudicado, era uma coisa, mas ele estava prejudicando os demais. O direito de ter aula é de todos. E se o mesmo começar a atrapalhar o ciclo de aprendizagem, será posto para fora, novamente.

Parece que eu agi certo, mas não. Mandei-o para fora sem nenhum documento que respaldasse a minha ação. Mandei-o para fora e ainda bati boca com a mãe do garoto. Mas o meu argumento é válido e embasado na lei. O direito ao estudo é garantido por lei e está na L.D.B. A qualidade também é uma. Então, o mesmo tem o direito de ficar em sala, desde que não atrapalhe o direito do outro. Por isso, o professor tem de ter suas cadernetas em dias e avaliações que comprovem o desempenho do aluno.

Para mandar o aluno para fora, é mais complicado do que parece. Vai exigir muito de você, professor. De início faça, faça tudo que eu disse acima. Após, entregue e compartilhe seus feitos com a gestão. E, a partir daí, comece a estruturar sua posição perante a sala. Exija e transpasse que sua preocupação é com a qualidade. Você pode mandar o aluno para fora, quando não realiza tarefa e quando está indisciplinado. Mas siga a risca. Combine com os alunos, que as tarefas são importantes e que são nelas que identificam as dúvidas. A cada tarefa não feita, escreva no campo de observações da caderneta – (clique aqui para ter acesso ao modelo de como escrever) –  Anote sempre a não feitura da tarefa. Espere a primeira avaliação, os alunos que não realizam, provavelmente, não vão bem. Após uma tarefa não realizada depois da prova, preencha um documento (Clique aqui para ter acesso) envie ao mediador ou a coordenação.

Se isso não resolver, espere a próxima avaliação ou o fechamento do bimestre. Anote tudo na caderneta o que o aluno deixou de fazer e tenha uma cópia do documento que enviou a coordenação, se a nota for baixa, preencha um outro (clique aqui para ter acesso) e chame os responsáveis. Não os chame para dar o problema a eles, chame-os para mostrar o que está sendo feito e que não está havendo um retorno. Peça sugestões e, lembre-se, nunca diga o que os pais tem de fazer. Na conversa, mostre o que está fazendo para o ajudar. Mostre ao aluno, pois ele tem de estar na conversa. Não diga nada que atinja o ego do aluno como: ele não faz nada! Ele não presta atenção em nada. Mude os termos para dizer a mesma coisa como: não sei o que pode estar ocorrendo com ele. Já conversei. Já dei oportunidades, mas ele não tem vontade. Quero o ajudar. Ele é um aluno que merece muitas coisas boas da vida. Eu quero ajudá-lo.

Isso não é fingimento, nós, como professores, queremos o bem do aluno. Só estamos mostrando.

Se o aluno conversa. Se o aluno o desrespeita. Se o aluno é indisciplinado. Faça anotações na caderneta. Siga o modelo – Espere a primeira avaliação e se ele for ruim, na primeira conversa, faça o documento e envie-o a direção. Caso não resolva, espere o fechamento das notas e faça outro documento. Peça a presença dos pais.

Por que eu peço para esperar tanto? Para termos argumentos ao falar ao pai. Para embasarmos tudo que temos feito ao aluno e não temos a contrapartida.

Só mande o aluno para fora com acompanhamento do inspetor, pois tudo que acontecer com ele em seu horário é de sua responsabilidade, e com o documento escrito por você, relatando o motivo. Assim ninguém vai alterar o que aconteceu.

Mandar o aluno para fora pode, o que não pode é mandá-lo sem embasamento. E com estes passos, não haverá direção nenhuma que o critique, pois você está fazendo o que o trabalho pede: Educação de qualidade a todos.

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