PRIMEIRO BIMESTRE – CORRIDO, DESAFIADOR E CHEIO DE PROBLEMAS

Antes de iniciar a discussão de hoje, quero deixar escrito, aqui, minha indignação ao Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Este que fechou salas, bateu em estudantes ano passado e agora vem com um novo escândalo: A MÁFIA DA MERENDA ESCOLAR – Pessoas que roubam dinheiro de merendas de escolas onde frequentam o filho do pobre tem de ir para a cadeia sem nenhum benefício. Escolas da periferia de São Paulo estão sem merendas. É um desatino!

 

Obs: Ao final do artigo haverá uma situação de desrespeito, saiba o que fazer quando isso ocorrer.

6 MESES

Quem aqui não está tendo dificuldades com o primeiro bimestre? Acho que todos. As perguntas de inseguranças e sem norteamento giram desde a gestão até os professores.  Mesmo estando há 10 anos em sala, tendo experiências em gestão e dando consultorias, posso afirmar que não está fácil para ninguém. Professores novos, veteranos, alunos novos e veteranos, gestão nova e veterana. O que muda? Tudo. Não importa se os profissionais já estão há bastante tempo na escola, já disse aqui que cada ano é um ano diferente, precisa chegar na escola como se fosse o seu primeiro ano. Este é o desafio.

Estou em um estado colhendo informações para meu próximo livro e me enriquecendo de visões distorcidas de uma Educação de qualidade. Portanto, também estou em uma escola nova, alunos novos, gestão nova. E o que não é novo? As defasagens dos alunos e as “tropeçadas” da escola em assegurar a qualidade Educacional.

Neste artigo, vamos falar de todos os lados da moeda. Vamos tentar compreender o que está virando a Educação Pública no país.

Primeira semana, como falei no artigo da semana passada, é hora de ir para a sala com um pré-diagnóstico, ou seja, com os dados e relatórios de acompanhamento da sala do ano passado, estudado na semana pedagógica, o professor aplicará sua avaliação diagnóstica e cruzará as informações, servindo de base para o Plano de Ensino 2016. Neste, já vi professores copiando do ano passado, mudando apenas a data, e, muitos nem isso fazem. Com isso, é hora da coordenação “chegar junto” e orientar para uma nova visão da sala para ser relatada.

O primeiro bimestre parece cumprido, mas não é, principalmente para professores do Fundamental II e Médio. Muitos possuem apenas 1 aula e outros duas (2), ocasionando uma rápida abordagem no conteúdo e pouco avanço de conhecimento. Além das aulas, há ainda aplicação de avaliações, tempo retirado da carga horária bimestral da matéria. Fazendo um raciocínio rápido: À disciplina de Física, o aluno tem apenas duas aulas. Em um mês foram dadas 8 horas, em dois meses, 16. Ou seja, ele terá a cada bimestre, mais ou menos 16 horas semanais, mas você retira duas horas para aplicação das provas, após mais duas para fazer a correção das mesmas e mais uma para aplicação da Avaliação de Recuperação. Tudo isso resultará 11 horas de abrangência do conteúdo. E o que ele aprendeu? Pouca coisa. Oriento que para não deixar isso ocorrer, se a escola for particular, pode-se pedir para que os alunos façam as avaliações em períodos diversos. Se a escola for pública, pode-se colocar as avaliações nas primeiras aulas, fazendo um calendário de provas, e cada semana, mudaria o dia.

O primeiro bimestre é ainda mais corrido, pois os horários, de muitas escolas, não ficam prontos rapidamente, ocasionando, para umas séries mais aulas de uma determinada disciplina e, para outras, menos. Distorcendo planejamento de aulas.

Para o professor que está chegando, é mais complicado ainda. Ele, de início, fica meio deslocado. Não sabe o que ouvir e em quem ouvir. Em escola que há mais de um vice-diretor, ou mais de um coordenador será normal a confusão de assimilação de competências de cada um, isto é, muitas vezes, ele (professor) conversará com um sobre determinado assunto, mas será função de outro. O papel é a orientação.

Mas, se os coordenadores e equipe gestora não estão se entendendo, estão se estranhando, como já vi em muitas escolas, isso passará à equipe de professores que ficará insegura em questão de norteamento pedagógico. Já vi coordenadores ficando com raiva de professores, porque os mesmos falaram ou conversaram com outro coordenador sobre assunto que era de competência dele, é mole? Então, para não haver confusões, o professor tem de chegar a eles, de uma vez só, e expor as dificuldades.

Os professores novos têm de chegar no primeiro dia de aula, apresentar seu currículo e mostrar sua visão educacional, como eu já falei aqui, desbravar um conteúdo que a turma tem dificuldade, informação tirada dos relatórios do ano anterior. Se o professor mostrar que entende do assunto e que o Educando aprenderá coisas novas com ele, conseguirá fazer um bom trabalho durante o ano, caso contrário terá sérios problemas pela frente, como já vi este ano, professores novos já enviando o aluno para fora por desrespeito.

Não adianta dizer que o aluno da rede pública é mal educado. Pode até ter um lá no meio, mas não é a maioria. Se você, professor, chegar no primeiro dia e mostrar que sabe o que está fazendo em sala, sabe o conteúdo e tem muito a oferecer, ganha o respeito de muitos e ameniza a indisciplina. Agora se não mostrar isso no primeiro dia, a conversa, o desrespeito vai ser avassalador. Não conseguirá controlar a sala e ficará mais desanimada com a Educação.

Sou professor tanto da rede pública e particular e posso falar sem medo: ALUNO É ALUNO EM QUALQUER LUGAR. O que muda? A situação social. Mas, as defasagens são as mesmas, os conflitos são os mesmos, a carência é a mesma. Se você chegar e mostrar, eles serão seus fãs. Do contrário, serão suas pedras no caminho.

Um dia, em uma escola pública, a noite, peguei umas aulas de substituição em um 1º ano do Ensino Médio, a diretora disse que eu tinha de entrar com “tudo”, porque eles eram terríveis. Eles não queriam aprender e não deixavam ninguém dar aula, é por isso que a professora titular se ausentou. Eu, sinceramente, não ouvi nada do que ela disse. Fui para a sala. Apresentei-me, mostrei o meu currículo e expliquei um conteúdo que tinham muitas dificuldades. Resultado: Ganhei a sala. Quando a licença acabou, os alunos queriam que eu ficasse. Mas isso aconteceu por quê? Por que eu sou o melhor? Não. Aconteceu, porque eu conversei com o aluno e mostrei que comigo ele pode contar.

Mas, nunca fui desrespeitado por aluno? Ah, já. Quando fui, estava no início da carreira, e advinha o que eu fiz? Coloquei a aluna para fora. E hoje, o que eu faria? Não colocaria. Saiba o motivo nas próximas linhas. (…)

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