POR QUE VOCÊ SE TORNOU PROFESSOR?

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É comum verificar em seriados e filmes personagens mostrando o motivo real de exercer o seu ofício. Policiais que foram para a área por causa do pai ou de alguém familiar. Promotores que foram para tentar diminuir a violência e assim por diante. A ideia central é mostrar um princípio dentro de alguém desenvolvendo seu ofício. Daí ficou uma dúvida, por que pensamos em ser professores?

Saindo da ficção, quando pergunto aos meus alunos qual o motivo de seguir tal profissão, muitos me respondem que seguirão os passos dos pais, outros, principalmente no Estado de São Paulo, respondem por uma visão financeira. Quando pergunto aos professores em minhas palestras, muitos dizem que foi pelo fato da faculdade ser mais barata e não tinham dinheiro para fazer o que gostariam e outros remetem a ideia de gostar de crianças e ou da área. Mas, afinal, por que ser professor?

Quando leciono em cursos de pós-graduação, percebo que os professores estão desmotivados, aderindo ao curso para uma evolução funcional ou para conseguir um cargo fora da sala de aula. Estão tristes e perdidos. Não sabem mais o que fazer. Têm a ideia de que o professor está desvalorizado em todos os sentidos e que não vale mais a pena ficar na área. Percebem e dizem em alto e bom tom que os professores que vão para a gestão parecem que esquecem que um dia fizeram parte da categoria e, muitos, não conseguem trabalhar em equipe, chegando a humilhar os demais. Claro que sempre há as exceções. E que bom que há.

Fiz uma retrospectiva da minha vida para entender o motivo que segui a profissão. Sempre faço esta reflexão, quando estou desmotivado. Sabemos que estamos apanhando de todo mundo: direção, governo, pais, alunos, coordenação. E qualquer outra profissão, que para exercer a sua é necessário outras pessoas ou o engajamento hierárquico, traz esta noção de que sempre somos o último a opinar e o primeiro a apanhar.

É por isso que se faz necessária a reflexão do porquê seguiu a profissão. Todos os meus alunos universitários dizem que o ofício de professor é fundamental para a sobrevivência da nossa sociedade, mas por que outras classes não percebem isso? Por que estamos com dificuldades de mostrar isso? Por que o aluno que vai avançando na vida escolar, vai desvalorizando o professor? São perguntas que precisam ser analisadas. Respostas? Acho difícil encontrá-las e quando as tivermos, alguém, com certeza, vai tentar derrubar. Mas esta é a ideia. Meus artigos são inteiramente reflexivos. Prontos para serem combatidos.

O fato é que é raro verificar alguém que está na Educação Básica ter um orgulho avassalador e motivador para mudar a realidade ao redor. Consigo dizer isso, porque muitos professores novos que estão entrando na carreira são bombardeados pelos veteranos dizendo sempre uma frase típica: O que você está fazendo aqui? Você é inteligente, pode conseguir coisa melhor. Eu não desisto agora, porque estou prestes a me aposentar, caso contrário, mudaria de profissão. Com o tempo os novatos se desmotivam e caem na rotina. Como dizem os autores realistas do século XIX, o meio vai interferir de forma direta nas ações. Os professores não são ruins. Estão apenas tentando se defender e sobreviver em um ciclo de guerra. Recebem bombas de todos os lados.

Eu mesmo, que sempre estive muito consciente do que quis fazer na minha vida, tenho os momentos de angústias e insatisfações, mas penso no porquê me transformei em professor. Imagine alguém que não teve suas escolhas agregadas, vai um pouco infeliz exercê-la e é bombardeada. A desilusão só crescerá e nada de melhora.

Era muito pobre! Família de muitos irmãos e primos. Mãe solteira e com muita garra. Não tinha muito tempo de me olhar de perto, mas sabia todos os meus caminhos. Morava na cidade de São Paulo. Bairro violento e escola de lata. Sim, eu estudei em uma escola de lata. Na verdade, estudei em muitas escolas. E em todas elas, tive um professor que conseguiu me olhar de perto. E uma escola, com seus projetos extras, conseguiu me mostrar do que realmente eu era capaz. Já falei sobre isso em meu artigo: A escola transformadora. Em algumas delas, muitas vezes, ajudava nos bastidores da escola, como coordenação e direção e percebia como lutavam para fazer da escola um lugar mais aconchegante para o aluno e um lugar melhor para que ele possa estudar tranquilo, pois os recursos eram poucos e os sacrifícios muitos.

Mudou alguma coisa de lá para cá? Talvez. Mas nesta onda de ajudar desde pequeno os professores e ou a escola, que percebi como ela (escola) me fazia bem. Como era um lugar, realmente, que me assegurava e dava para mim momentos de esperanças de uma vida melhor.

Com os sacrifícios feitos pelos meus professores, compreendi como precisavam de ajuda. Como precisavam ser ouvidos e como precisavam de auxílio. Eram jogados em uma escola sem nenhum acompanhamento real.

Nós, alunos, precisávamos também ser ouvidos e acompanhados. Muitos iam para a escola e tinha apenas uma refeição ao dia, por causa da merenda. É por isso que me enoja o Governo de São Paulo que rouba merendas das crianças. Íamos sem ser notados pela mãe ou pela família e levávamos, muitas vezes, bolachas para casa para comer depois. A sala de aula e o primeiro professor do dia tinham uma responsabilidade imensa, pois seriam os primeiros a nos notarem.

Sem uma família presente e sem uma escola atuante, ficamos à mercê de outras intenções e de pessoas com má índole que poderiam nos dar a atenção que esperávamos.

Cresci neste espaço. Graças a Deus, tive bons professores. E quando falo isso não é só do conteúdo, mas também de nos ajudar a encarar a vida. Trazia lição de conteúdo e de cidadania. Então, quando chegou na etapa de escolher uma profissão, tinha em mente ser jornalista, mas a ideia era relatar de forma agressiva e extensiva a calamidade das escolas públicas de São Paulo. Professores foram guerreiros, driblavam as dificuldades para dar a nós um ensino de qualidade. Queria muito denunciar o sucateamento das escolas públicas que a cada ano fica mais explícito.

Quando chegou bem no momento da escolha, tive, mais uma vez, uma professora, dizendo que a área de jornalismo estava por um fio, e que quando relatamos a verdade, sempre somos banidos de alguma forma. Ela me disse que tinha uma ideia melhor. Fiquei espantado, mas resolvi ouvir. Ela disse que seria muito melhor e meu trabalho, seria mais aproveitado, se fosse um professor. Poderia interferir de maneira direta e eficaz se estiver na sala de aula. Disse que como gosto de escrever, seria melhor optar por Letras e caso não quisesse exercer a profissão, poderia fazer o jornalismo depois, pois já teria um emprego e ficaria mais fácil de bancar.

Estranhei de início, mas assim que ingressei, fui trabalhar em uma escola como estagiário e logo engatei no ofício. Realmente, percebi que na sala de aula podemos fazer mais. Podemos mostrar e transformar.

Em sala de aula, é o melhor lugar para ajudar a nossa sociedade. Fui transformado por professores e costumo enxergar o aluno por trás das carteiras. Falo francamente que o meu papel ali é ajudá-los a chegar em seus sonhos. Sou apenas uma ferramenta que podem usar para progredirem. Não sei tudo, mas o que eu sei, pode ser útil em alguma parte da sua vida.

Conto também um pouco dos meus professores. Explico e explano bem os conteúdos e trago provas com níveis elevados. Faço panorama e sondagem e, a partir do terceiro bimestre, começo a chamá-los para entender o motivo do não progresso. Eles mesmos, ao serem chamados, pedem desculpas e dizem que vão melhorar. Claro que sempre há aqueles que não cumprem, mas a grande maioria, cumprem e dão um salto extremo na aprendizagem.

Os alunos, muitas vezes, querem ser ouvidos. Querem ser enxergados de alguma forma. Pedem limites e gostam da sua intervenção. Perdi as contas de quantos obrigados já recebi de meus alunos que se formaram. Como é gratificante.

Perceber que você está devolvendo tudo aquilo que recebeu, é imensamente positivo e traz uma plena satisfação de sua tarefa e seu papel no universo.

Quando entrei em sala pela primeira vez, fiz um juramento: lecionar para uma vida melhor. Meu compromisso não é com coordenador e nem com diretor, é com o aluno. Penso nele em todo o tempo. Ele é o giro da minha profissão. E quando fico desanimado por ver, muitas vezes, profissionais “matando” e “massacrando” os alunos com aulas sem compromissos, com afazeres sem vínculos, realmente me entristecem.

Quantas vezes fui “bombardeado” por gestão e cheguei a pensar em desistir, mas sempre me lembro de tudo que passei e meu juramento. Estou na sala de aula para ajudar o maior número de alunos que eu puder. Não sou milagreiro, sou professor. Não passo apenas o conteúdo, mostro caminhos. Sou o que um dia foram para mim, enxergo, sorrio, converso e oriento, quando necessário e quando precisam. Não sou pai, irmão, sou um professor, que tem comigo, todos os dias, sonhos que precisam ser abastecidos, para que não se apaguem e virem qualquer coisa por aí. Quero que virem o que pretenderam virar. Que tenham controle sobre suas vidas e que amanhã possam ajudar outras pessoas.

Aos professores, que não puderam, por algum motivo, ser o que sempre sonharam, façam diferente. Mostrem aos seus alunos que não foi uma péssima opção e que estar na sala de aula não é a pior coisa. Dê a eles ferramentas, que muitas vezes, faltaram a vocês para conseguirem chegar onde queriam.

Professor não é aquele que só ensina, é aquele que inspira seu aluno a ser feliz na escolha que fizer e que o ajuda a chegar ao seu sonho. Se todos os professores fizerem isso, poderemos ter uma geração mais amável e menos medíocre.

Este é o meu motivo de ser professor, e você? Comente para nós, por que qui ser professor?

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