PARA QUE SERVE A ESCOLA? – PARTE 2

O ALUNO NÃO É UMA FOLHA EM BRANCO

Parte 2 – Para que serve a escola?

 

Este é o segundo artigo que escrevo sobre o mesmo tema, mas mostrando visões de diversos pontos. No artigo anterior, falamos sobre a importância do professor em sala, mostrando para que ele serve. Hoje, vamos discutir essencialmente sobre o aluno. Mas peço encarecidamente que leiam até o final.

A verdade é que em nosso país, desde a colonização, a Educação era enfrentada como meio de dominação. Se buscarmos em nossa história, identificaremos os Jesuítas sendo enviados para cá para doutrinar os nativos para a nova cultura, dando aos portugueses a possibilidade de reinar e retirar tudo que era precioso desta terra. Os índios que aceitaram passaram a conhecer novos povos, mas também a serem escravizados. Os que não aceitaram, morreram.

Portugal deu o direito aos Jesuítas de comandar a Educação no país e isso foi feito. Muitas tribos deixaram de acreditar em suas culturas e descobriram uma nova. Outros passaram a desconfiar e a se rebelarem. Com o modo brando de dominar, deu aos nativos um novo jeito de pensar e acabaram entendendo que estavam sempre atrás dos portugueses e que perderam muitas riquezas, inclusive a identidade. Os rebelados começaram a ser perseguidos, e os Jesuítas com uma dor imensa de fazer parte de um sistema desumano resolvem ajudá-los. Dando a Marquês de Pombal uma saída: expulsar de todo o território luso-brasileiro estes religiosos que tanto ajudaram em suas conquistas.

Pombal entendeu que os Jesuítas estavam com um poder que jamais seriam deles: ser senhores dos nativos que se portavam como vassalos. Como isso? Se o poder de ser senhor era apenas do rei? Basílio da Gama que nos diga em sua obra Uruguai.

Percebemos só nesta época que a Educação era dada com o intuito de algo, no caso, catequizar os índios e mostrá-los que tinham de ser fieis a uma classe dominante e cruel. Os tempos se passaram e nada mudou. A escola continua a ser uma dominação em massa. E o professor é o jesuíta do século XXI, entendendo que o aluno é uma página em branco e precisa dar a ele conhecimento para que consiga se comportar e portar em diversas classes sociais. Esquecemos de um só detalhe: no quinhentismo, os jesuítas tinham de apresentar uma nova cultura indicada pelo Pero Vaz de Caminha para uma dominação de mão de obra escrava e ordinária. Hoje, não precisamos apresentar uma nova cultura a eles, mas norteá-los da melhor forma possível. Precisamos mostrar aos alunos que eles não são massa de manobra como a elite vem fazendo, mas um cidadão que tem direitos de exercer e abrir as oportunidades quando acharem necessários. Os jesuítas passaram por cima de uma cultura. Nós estamos fazendo da mesma maneira, esquecendo-nos de que o aluno vem com uma gama de conhecimentos, mas não sabe onde utilizá-los. Este é o nosso papel. Mostrar como e onde usar.

O que me leva a crer com tudo isso? Que não aceitamos que um aluno nos questione. Que não aceitamos que ele faça uma conta diferente da que nós os ensinamos. Que não debata com nossas opiniões. O aluno está cheio de entender que ele sempre está errado. E com isso, à medida que cresce, mais toma raiva da escola e “agride” ao professor.

Leciono em escolas particulares e faculdades e mais de 70% dos meus alunos são a favor do impeachment da presidente Dilma, quando eu questiono o motivo, vários levam a mesma frase que se é propagada – Deixou o país em crise… Formou uma quadrilha… Roubou demais… O que me leva a entender que não estudaram de forma a analisar as duas partes da mesma moeda. Como diz o professor Leandro Karnal é uma geração “kkk”.  Quando pergunto em escola pública, a grande maioria é contra, pois percebem que tem uma possibilidade de acesso a faculdade, que seus pais conseguiram ter uma casa e carro financiados, acham que se deve a Dilma e Lula.

Quando aluno, lia de tudo. Assistia a tudo. Tentava buscar entendimentos para muitas coisas, quando chegavam em aulas como de História, Filosofia, Literatura e Sociologia, jorrava meu conhecimento, mas não aceitava a intervenção do professor, nem levava em consideração de que o mesmo tem mais tempo de estudo sobre o assunto do que eu. Praticamente, jogava a discussão em um âmbito pessoal ao invés de universal. Isso atormentava os meus professores. No dia em que peguei um professor que me fez canalizar o que havia lido e entendido, percebi que este era o caminho e que não estava errado, mas utilizava fatos sem uma reflexão profunda. Realmente, não sabia onde usar. O que sei é que este professor não está mais na rede pública. Exonerou seu cargo por motivos que entendo, pois também fiz o mesmo.

O que quero dizer é que nem todos os professores são jesuítas e precisamos encontrar um grande número de Padres Vieira neste bolo, como o do Brasil Colônia, para dar a nós um perfil pensante. Existem professores fazendo isto, dando ao aluno a oportunidade de pensar e refletir, mas a geração já não ajuda muito e a contextualização também não, além de um sistema automático para massa. Fazendo nos remar contra a maré.

O que se percebe na rede pública é que o aluno quer um emprego que dê para comer e ter coisas materiais, não se importando que poderia ser mais. O que se percebe é que ele quer ser sempre dominado e nunca dominante, pois o mesmo já sabe, por vias de fato, que raramente será alguém que possa alterar sua realidade. Estamos canalizando para uma escravização de mão de obra barata pelos grandes empresários deste país, porque é melhor pingar do que faltar. É melhor ganhar pouco do que nada. Eles estão aceitando migalhas.

O professor é o único que pode ajudar a alterar a ordem neste país. Ele entendendo que o aluno vem com um conhecimento básico e juntando ao seu, devolvendo a ele diversas peças de um quebra-cabeça e achando a sua própria paisagem depois de montado, poderemos ter um país diferente.

Acho que já iniciamos este trajeto. Comprova-se pelo projeto absurdo e sem fundamento – A escola sem partido – que, possivelmente, vem tentar neutralizar este canal de pensadores sendo formados na escola pública. Perceberam que a população está mais reflexiva, não tanto como gostaríamos, mas já é o começo. A elite está perdendo o controle e que um pobre já assumiu a presidência da República e meia dúzia de pessoas burguesas conseguiram tirar. Os relatores do projeto parecem que partem da mesma premissa de que o aluno é uma página em branco e que os professores estão dando a eles visões errôneas da política brasileira ou do contexto social estabelecido. Por isso a correria para se aprovar. Estão totalmente equivocados, pois a própria população mais velha já se atentou que somos movidos e direcionados para contemplar minoria e que isto precisa acabar. Contaminando a nova geração que ainda está no pensar superficial, mas cavando para se chegar onde é necessário.

Na Grécia antiga, os professores tinham de desenvolver seres pensantes, quando o discípulo ultrapassava o mestre, a função estava concluída e por que isso não acontece hoje? O que precisamos entender é que a elite, governantes, vem massacrando o professor. Desvalorizando o tempo inteiro. Exercer o ofício é motivo de chacota na sociedade. “Você é professor? Nossa, coitado”. Geraldo Alckmin e José Serra em São Paulo vem fazendo isso há anos, pois colocou uma prova ao final dos anos letivos e os que passarem assumiriam aulas, propagou para a sociedade que ele estava peneirando os professores para uma escola com mais qualidade, mas mesmo os que passavam na prova não tinham garantia de ter seu cargo no ano seguinte. O que aconteceu? Para boicotar a prova, mais de 30% dos educadores só colocaram seus nomes, não fazendo-a, e tiraram zero. O governador fez questão de dizer em rede nacional que este percentual tirou nota zero na avaliação, dando a entender que não sabiam nada e estavam em sala de aula.

A desvalorização é tamanha que todo mundo manda no professor, é a mãe, é o faxineiro da escola, é o inspetor de alunos, e o próprio aluno. O que se vê com isso é a ideia deixada por estes governadores em que o professor não é um ser pensante. É um ser amargurado que não foi nada na vida e virou professor.

Precisamos mudar isso. Precisamos nos unir e dar ao aluno uma carga positiva de otimismo e sabedoria para que consigam melhorar suas vidas nas próximas gerações. Espero que tenham entendido o meu posicionamento. Curta a minha página e compartilhe. O aluno não é uma página em branco, mas é um livro que pode ser adicionado várias páginas para um final feliz.

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