QUAL A MINHA TAREFA E TAREFA DO MEDIADOR/ORIENTADOR EDUCACIONAL?

O MELHOR MEDIADOR É VOCÊ MESMO, PROFESSOR

QUAL A FUNÇÃO DO MEDIADOR OU ORIENTADOR EDUCACIONAL?

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Recebi a sugestão de professores que lê toda a semana meu artigo. Falei sobre o Coordenador (clique aqui para ler) e falei do diretor (clique aqui para ler) e agora venho falar sobre o Mediador ou o Orientador Educacional. A escola passa por transformações estrondosas todo o ano e a sensação de que estão indo para a escola sem nenhum acompanhamento de seus familiares aumenta. Daí a necessidade do Mediador e Orientador Educacional.

Trabalhei em muitas escolas tanto particulares quanto públicas e ambas trazem em comum um abandono dos pais no seu crescimento afetivo e de “espelhos”, todos estão envolvidos no que podem dar para o filho em questão material, esquecendo que o material precisa vir coberto do emocional. Assim, a falta de respeito para com os profissionais da Educação cresce e o “pedido” de “socorro” dos alunos aumenta com uma dimensão que só notamos em dois momentos do nosso dia a dia: Quando o aluno desrespeita o professor e ou amigo, ou quando ele se isola em uma melancolia profunda transferida pelos olhos. Mas como evitar tudo isso?

Precisamos entender que o aluno não é visto mais como o objeto de depósito de conhecimento, Paulo Freire já nos dizia que o aluno tem o seu “mundo”, precisamos trazer o seu conhecimento prévio para ensiná-los ao “novo mundo”. Pois bem, quem aqui consegue levar o dia bem estando com um dia péssimo? Acho que ninguém. Somos todos seres humanos e somos afetados por turbulências familiares e de vida que podem nos desmotivar. Com o aluno não é diferente, a única diferenciação é que ele ainda não tem tamanha maturidade de levar adiante com sabedoria o seu dia péssimo ou não sabe internacionalizar o que sente e continuar o seu processo de ensino aprendizado.

O professor, como venho sempre dizendo, precisa ser observador. Com o Fundamental I é mais fácil, tendo em vista que há apenas um professor diário que pode observar e diagnosticar uma falta de “atenção” que pode prejudicar o educando, levando, assim, medidas pedagógicas para que consiga reverter esta situação perante ele.

Já com o Fundamental II e Ensino Médio já é mais difícil de identificar e observar de perto o aluno, mas não é impossível. Sou professor de Literatura e ajudo, através de reflexões literárias, a observar o aluno que pode estar pedindo socorro, mas não foi notado. Quando identifico, penso em como posso chegar mais próximo dele e assim fazer o meu papel de professor, de educador.

Lendo, declamando e refletindo sobre poemas em sala. Consigo atingi-lo compulsoriamente e após, detectar vários problemas que modificam diretamente o processo de ensino e aprendizagem. Converso com o aluno quando identificar uma oportunidade e juntos refletimos sobre o problema. Lembre-se, você não pode dizer o que o aluno precisa fazer, mas você pode ajuda-lo a descobrir o que precisa fazer. A ação e opção serão exclusivamente dele.

Uma vez uma aluna mandou-me para “aquele lugar”. Fiquei estupefato. Ela estava nervosa e conseguiu fazer “ferver meus nervos”. Apenas abri a porta e pedi para que se retirasse. A sala ficou em silêncio e ela saiu. O que eu fiz? Após o término da aula, fui até ela e perguntei o porquê de tudo aquilo. Ela não me olhava no rosto. Vi que suas lágrimas estavam escorrendo, em seu rosto, desenfreadas. Ela não me respondeu e completei dizendo que outro dia conversaremos. Muitos professores disseram que eu deveria ter feito um boletim de ocorrência e que deveria ter mandado à direção. Então pensei, o que ia resolver com estas medidas? A aluna não era a melhor, mas também não era a pior. Sempre ria para mim e sempre me dizia “oi” e “Tchau”, o que eu fiz que pudesse ter ocasionado isso? Resultado: não fiz nada. Na aula seguinte, entrei em sala e, como sempre faço, caminhei por ela dando a mão para alguns alunos e fiz o mesmo gesto para aluna, achei que me evitaria, mas, após segundos de tensão, ela me retribuiu com os gestos e com sorriso dizendo “oi”. A escola não tinha mediação e como era necessário a cada ano, adotou a iniciativa de deixar um professor que mais tinha afinidade para com a sala para fazer o trabalho de mediação. Não disse nada ao professor responsável, mas observei vários momentos da aluna em sala naquele dia. Às vezes, a chamei para responder algumas atividades, rindo, só para mostrar que entre nós não havia ressentimento. Após algumas semanas, caminhei no intervalo e ela veio conversar comigo, pedindo desculpas e justificou que não estava muito boa naquele dia, havia brigado com a mãe. E o que eu havia com isso? Tudo. Infelizmente, para muitos, somos os mais próximos deles no dia a dia. Somos os que mais confiam em seu crescimento.  Sorri e disse que tudo bem, nem todos estão bem sempre, mas temos de entender também que não temos culpa por acontecimentos de vida. Precisamos respeitar os demais. Espero que isso não aconteça mais. Ela sorriu e disse “com certeza.” Ficou resolvido e ela participou ainda mais nas salas.

Hoje, muitas escolas têm a mediação e orientador educacional, mas o nível de agressões em sala está subindo. O que será que está acontecendo? O mediador está fazendo um bom trabalho? Antes de responder esta questão, precisamos saber o que este cargo tão fundamental hoje em dia faz.

Segue:

1 – Contribui para o desenvolvimento pessoal do aluno.

2 – Ajuda a escola a organizar e realizar a proposta pedagógica.

3 – Trabalha em parceria com o professor para compreender o comportamento dos alunos e agir de maneira adequada em relação a eles.

4 – Ouve, dialoga e dá orientações.

Com um bom orientador ou mediados conseguiremos atingir o aluno de forma pontual e sem rodeios, mas todos precisam contribuir para que isso aconteça. O mediador precisa ter um raciocínio rápido perante respostas e adversidades que existirão no caminho.

Em outra escola onde trabalhei, havia uma mediadora. Continuei fazendo o meu papel, tendo visão de que temos de ser os dois em sala: Razão e emoção. Nem muito um e nem muito outro. Temos de saber moderar. Cada situação um, mas não podemos fugir do foco: estamos ali para ensiná-lo a se sobressair na vida e chegarem ao sucesso. Não somos os seus pais, mas somos os que poderão lhe fornecer ferramentas para chegarem onde querem. Voltando à escola, vi que houve uma falha e sofro com ela até hoje. Uma vez, conversando com os alunos, dizendo por qual motivo chamo os pais (sempre falo a importância de minhas ações para eles, assim, sabem que estou fazendo tudo às claras com o intuito de ajudá-los), falei sobre isso, porque havia chamado alguns responsáveis de alunos que caíram em seus rendimentos de aprendizagem e ou não atingiram, aproveitei e elogiei aqueles que melhoraram muito no processo e uma aluna, ao sair, falou que eu era um grande professor. Com lágrimas nos olhos disse “professor, chame a minha avó!”, eu fiquei extremamente preocupado com isso. Eu tinha outra sala para ir e isso me martirizou até o momento que tive um horário livre e a chamei para conversar. Ela sorriu e antes de começar reiterou dizendo que eu era o seu melhor professor, porque além de ensinar bem, sei ouvi-los. Ela havia me contado que sua mãe morava em outra cidade e morava com a avó, mas nas férias sua mãe levaria para morar com ela. Não queria. Falou que a escola a ajudou muito. Transformou-a completamente. Aquilo me arrepiou, porque era a função da escola. A aluna não era de conversa. No início fazia suas tarefas, mas não se alarmava. Após ter feito um trabalho genial, mostrei a turma o que aquele trabalho me mostrou. Desde então ela fazia tudo sempre querendo me mostrar que podia mais. Suas notas eram 4, 5, depois deste dia, sua nota foi para 8. Percebi que realmente ela se entregou aos estudos, depois que “a viram”.

Pelo que entendi, ela queria que eu chamasse a avó para dizer o quanto evoluiu. Para dizer o quanto estava comprometida com a escola. Eu prometi a ela que chamaria. Contei à mediação e deixei para que fizesse a ação, pois eu não poderia, pois a mediação é para isso: ouvir os alunos e compreender o comportamento. Resultado: não chamaram. Disseram a mim, depois das férias, que a escola não poderia mexer em decisões de família e que era isso que ela queria. Mas acredite, ela apenas queria que mostrasse a avó que a escola poderia dar a ela o que a outra não poderia. Que seu desenvolvimento foi tamanho que ela chegaria, se continuasse com este ritmo, onde quisesse. Assim, a avó voltaria para a casa e repensava se realmente valeria a pena manda-la para outra cidade. Era só isso.

Neste momento, cheguei à conclusão de que ela levou consigo que não fiz ou que eu não apreciei seu problema com afinco, tomara que um dia ela entenda que não foi minha culpa. Neste momento, cheguei também à conclusão de que não podemos chamar os pais apenas quando os filhos não estão conseguindo atingir as competências e habilidades desejadas, devemos chamá-los quando os mesmos evoluem e mostram que conseguiram progredir. Assim, ganharemos os alunos e os pais e a parceria para a transformação estará sendo reiniciada.

Aprendi também que se você observa, conversa e pode fazer algo para ajudar o aluno, faça! A melhor mediação é quando você os ouve e quando mostra outros caminhos.

Portanto, a mediação será feita sempre por mim, e só chamarei o profissional instituído no cargo quando envolver pais e terceiros. E mesmo assim, tomarei à frente para que entendam que eu posso falar com propriedade do aluno e que posso afirmar que estarei fazendo tudo por ele.

Os alunos precisam ser ouvidos! Você precisa mediar! A escola precisa aprender a caminhar! E se você é mediador, você precisa observar, estar junto e entender que suas ações poderão salvar a vida escolar de determinados alunos!

PARA O ORIENTADOR E MEDIADOR

Para mostrarmos um trabalho expressivo dentro de uma escola, se faz necessário mostrar a equipe docente que a mediação servirá para minimizar problemas de indisciplina e problemas ocasionados pelos comportamentos de alunos. Para isso, comece pontuando alunos “indisciplinados” ou aqueles que vão com maior frequência para a direção. Após, chame-os e faça uma análise de perfil. Só assim poderá contribuir com a situação, sabendo quem é o aluno. Muitas vezes, o aluno só precisa de uma nova visão para compreender. Pergunte a ele o que acha da escola e de professores. Observe como ele pronuncia os nomes. Assim saberá de quem ele tem maior admiração ou menor. Mostre a ele características positivas dos determinados professores de quem ele não gosta oscilando com quem ele gosta (é importante ter em mãos a carreira profissional dos educadores). Tente entender o motivo de tal tensão. Repasse sempre os feedbacks para professores, mostre a eles o que o determinado aluno compreende sobre a postura dele em sala e juntos trace uma estratégia para atingi-lo de maneira que não perceba.

Se a escola tem um grande nível de violência e depredação. Após o processo, monte projetos junto da equipe que possa mostrar ao aluno que aquela escola merece cuidado e atenção. Além de no desenvolvimento do projeto observar se o objetivo está sendo alcançado, verificando se o aluno realmente está sentindo que aquele espaço é de paz e aprendizagem. Palestras e rodas não funcionam de antemão. Dei uma grande estratégia do que pode funcionar neste contexto no artigo A ESCOLA TRANSFORMADORA – Clique aqui e saiba mais.

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