O ALUNO PRECISA SER SALVO E O PROFESSOR DE FAZER O SEU TRABALHO

Final de bimestre, muitos professores perguntando se são obrigados a darem avaliação de recuperação aos alunos. Antes de iniciarmos nossa conversa desta semana, quero parabenizar professores que estão se reciclando e buscando novos rumos para uma qualidade maior na Educação.

Em alguns estados que estou visitando, estou vendo coisas absurdas em sentido de recuperação, dependência ou reprovação. Chega a me dar um colapso em ouvir, ver e saber de muitos caminhos que estão sendo percorridos pelos profissionais. Sabemos que muitos secretários Educacionais, prefeitos, governadores não estão preocupados com o bem estar do aluno. Ano se inicia sem professores em sala, ano percorre com professores lecionando sem ter domínio de sua matéria. É um crime, o professor entrar em uma sala sem saber o conteúdo, ou o pior, sem saber da matéria. Em alguns estados, os governadores dizem que são áreas correlatas e podem ser ministradas. Não sei onde querem chegar, mas vamos ser sinceros, eu sou professor formado em Letras, minha habilitação é Línguas e suas Literaturas, como Inglês e Língua Portuguesa, como vou dar aula de Arte? Em meu currículo escolar, tive uma noção de arte, mas não é a mesma coisa. Não terei como passar uma essência real ao aluno, pois tenho habilidade em arte abstrata, e a última é voltada mais a concreta. Então, como?

Já sei que vão achar um absurdo o que estou falando, vão dizer que professores têm famílias, que o estado faz isso com eles, então, digo: vão estudar a disciplina! Em um estado, onde visitei para uma consultoria, vi professor de Matemática dando aulas de Física, mas em seu Histórico Escolar não tem nenhuma hora computada na disciplina, só porque disseram que são correlatas, podem lecionar. Tudo bem, acredito nisso, mas o professor deveria colocar em mente que precisa estudar a disciplina. Mas, não estudam. Vão para a sala sem o domínio básico, não conseguem passar o conteúdo, os alunos percebem isso, começam a não acreditar no trabalho, a indisciplina aumenta e o desempenho cai e chega ao final do ano e o professor ainda quer reprovar o aluno? Isso é inacreditável, mas acontece.

Os governantes dizem que é pela falta de profissionais de áreas que fazem isso, mas é um efeito dominó, acompanhe: Se um aluno tem péssimas aulas de Química, Física, Matemática, que são as áreas mais afetadas, qual o aluno que vai gostar da disciplina tendo professores que não dominam, não gostam? E qual vai querer seguir a área se não foi contagiado pelo professor?

Mês atrás, fui a uma banca procurar algumas revistas de minha área e minha mulher, que é professora de Matemática e Física, também. Ela procurou a revista Cálculo e não havia. Em dois estados que frequentamos, não encontramos, e sabe o que o jornaleiro nos disse? “Também, é uma revista que não sai. Quase ninguém gosta da disciplina. Não se tem nem mais faculdades boas dessas matérias. Eu, mesmo, adorava Física. Acho importante, mas tive um professor da matéria que não sabia nada. Entrava na sala, dizia que não sabia e não explicava nada. Fechava a porta e pronto. Ele era um professor interino, ele era de outra disciplina”. – Veja só o que estou dissertando com vocês. Não são todos os professores que fazem isso, mas a grande maioria dos profissionais que são formados em uma disciplina e ministram outra, não estudam. Argumentam que o salário não dá para se reciclar, que os alunos não querem nada com nada, então, não se pode perder seu final de semana estudando. Sabe quantas vezes eu ouvi isso? Milhões, lógico que há hipérbole nisso, mas garanto que é muito mais que estão pensando.

Já que o professor pegou uma disciplina que não domina, que tal estudar? Que tal se unir com um outro professor e estudarem juntos? Assim, o professor com conteúdo consegue minimizar a indisciplina e criar o vínculo respeito. Tenho dez anos em sala, acham que todos os alunos gostavam de mim? Não. Muitos não gostavam, mas me respeitavam, porque eu tinha o conteúdo e consegui mostrar que o que tenho para compartilhar é importante.

Agora, o que faz um professor não estudar, pegar a disciplina que não é dele e ainda querer reprovar um aluno? Não sei. Fico pensando em várias respostas, mas não cheguei a nenhuma conclusão ainda. O que posso afirmar é que o profissional, se não conseguiu nada em sua área na escola, e não está disposto a estudar, vá procurar outra coisa para fazer. Não entre em sala e fique um ano com turmas os enganando, pois isso vai refletir em nosso futuro. Mas sabem por que não vão? Porque em outro setor, terão de trabalhar duro e ganhar uma renda menor, além de, muitas vezes, terem de ser aperfeiçoar, na escola é mais prático, ficam, não há uma cobrança direta, porque, em muitas escolas, os coordenadores também não têm perfis, são elegidos por estes professores e ficam com medo de cobrar e perder a eleição do ano seguinte. Estamos com um sistema corrompido, profissionais desestimulados e uma Educação falida.

Tudo que estou dizendo, tem exceção, mas é uma grande maioria que vem derrubando o trabalho dos bons profissionais. Se você é um profissional desses, que não estuda, não se recicla, não faz o seu ofício como se deve, NÃO TEM O DIREITO de reprovar um aluno. Ano passado, em uma consultoria, vi alunos com dependências em uma determinada disciplina. Fui indagando e constatei que o professor só enrolava, dava trabalhos em estilos de seminários aos alunos, eles tinham de ir na frente e explicar os conteúdos, e o professor? Este ficava sentado sem nenhuma intervenção ou explanação. Aplicava provas dificílimas com questões copiadas na internet, os alunos não acompanhavam, e ao final do ano, ele, o professor, reprovou dezenas de alunos. Para mim, ele é um mal caráter. Prejudicou alunos, pais desinformados, e ainda quer ter razão. Se os pais fossem informados, poderia entrar com processo em cima da escola.

O que estou tentando mostrar aqui é que o aluno precisa ser salvo e não punido. Alunos de escolas públicas e particulares chegaram em um mesmo nível: querem ser vistos. Querem atenção e querem verificar se você, professor, quer o bem deles. Lecionei por anos em escolas públicas, e após mostrar que a minha intenção era ajudá-los a chegarem em seus sonhos, tudo mudava.

O professor precisa passar segurança ao aluno, mostrar que a ideia ali é fazê-los crescer. Então, ao dar a prova, depois de um conteúdo bem explanado e exercícios corrigidos, faça o panorama e os mostre. Se a grande maioria for mal, não prossiga no conteúdo, traga, de uma outra forma, o conteúdo e depois dê uma avaliação de recuperação. É direito e isso precisa ser colocado na caderneta.

Se o professor e toda a equipe escolar tiverem fazendo seus trabalhos com afincos, com recuperação e monitoramento de desempenho do aluno, com diversas intervenções como familiar e pedagógico, daí sim, abre-se o caminho de dependência ou reprovação. Mas se foi feito tudo: devolutiva, conversas, exercícios extras, explanação de conteúdo… Porque a ideia da dependência e/ou reprovação é dar mais tempo ao aluno para progredir.

Outro processo precisa ser consciente na escola, já vi, em muitas instituições, o aluno ficar de dependência e nada foi feito por ele no ano seguinte, após, a escola marca uma prova e se ele atingir, sai dela. Mas se o aluno não aprendeu com o professor, como aprenderá sozinho? Temos de pensar. Não se evolui sozinho, porque, se ao contrário, não precisariam da gente.

Termino firmando que o aluno precisa ser salvo, não precisa ser punido por uma frustração do professor, ou por uma visão destorcida do que realmente é lecionar. Reprovar é preciso, mas coloque a mão em sua consciência, verifique se tudo foi feito pelo aluno. Verifique se você fez de tudo para salvá-lo. Nunca diga que ele é um aluno sem futuro, um aluno sem respeito ou um péssimo aluno, por isso merece reprovar, porque se pensarmos assim, um médico não pode salvar um ladrão ou um político (a última foi só para descontrair), porque eles não estão de acordo com as leis da sociedade: a função dele é salvar, e a nossa, a de professor, é de progredir e não reprovar. Ser professor é assim, se não aguenta isso, saia e deixe outro trabalhar como se deve.

 

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