NÃO SE FAZ HORÁRIO PENSANDO EM PROFESSOR, MAS EM ALUNO

O HORÁRIO DEVE SER FEITO PARA O ALUNO, NÃO PARA O PROFESSOR

Disciplinas

AS AULAS DEVEM SER DISTRIBUÍDAS DE ACORDO COM O DIAGNÓSTICO DE SALA

 

Começo do ano, tumulto na atribuição de aula e o desespero de professores para conseguirem completar cargas horárias. Pegam aulas sem saber se darão conta do recado ou se precisarão articular horários para cumprirem suas tarefas. Claro, que não é totalmente culpa deles, pois se faz um sistema que não garante aulas, se tem um salário mediano para quem tem uma carga completa, equivalente a 2 mil reais/mês em São Paulo, professor do estado, agora imagine aqueles que não conseguem cumprir a carga? Realmente passam “fome”!

Mas, meu artigo, hoje, não é sobre as políticas e visões educacionais de governos que não visão Educação. Meu artigo é sobre os horários e organização para os alunos. Há escolas que pedem aos professores deixarem sugestões de dias e horas que querem. Outras pedem para uns e sacrificam outros. Em algumas, não se pedem sugestão e desenvolvem uma programação pensada em qual acharia melhor. Venho lhe dizer que a programação de aulas e disciplinas, a grade horária, não pode ser feita embasada em “achismo” de diretor ou de preferências dos professores. A grade tem de ser montada de acordo com os diagnósticos das salas.

Não entendeu? Então, vamos por etapas.

No ensino Fundamental I, há apenas um professor para várias disciplinas e um para Educação Física e, em alguns municípios, há um para música e Artes. Mas vejamos como isso pode funcionar. O professor, juntamente com o professor da turma anterior e o Coordenador Pedagógico precisam sentar e analisar a sala. Verificar as defasagens e saber o perfil da turma como: se são ansiosos; apáticos; indisciplinados, por exemplo. Depois verificar se são sempre assim ou se têm picos, como são ansiosos nas segundas-feiras ou sextas. Com tudo isso em mãos, temos o ponto de partida. A professora atual organizará os horários para fazer com que o aluno aprenda mais. Se às segundas-feiras, eles são mais ansiosos na entrada, que tal colocar a Educação Física para eles? Assim terão a primeira aula para retirar toda esta ansiedade e fazer com que venham para a sala com mais concentração. Após, que tal uma aula com música para sintonizar os alunos entre ouvir e pensar? Depois, uma aula de matemática com exercícios começando do simples até o mais complicado. E para finalizar, uma boa leitura e entendimento do texto. Assim temos: Educação Física, Arte ou Música, Matemática e Língua Portuguesa. Feito um horário de segunda-feira.

Quando criamos um horário não é para beneficiar o professor, mas o aluno. Ele é o nosso cliente e temos de nos adequar para atender. Se fôssemos professores particulares não adaptariam nossos horários ao dele? Por que em escola pública, sempre, não damos conta de que somos “pagos” por ele? Ou seja, tudo deverá girar em torno da APRENDIZAGEM repassada ao aluno.

Vejo muitos professores chegarem à sala de professores e reclamarem que não conseguiram dar aula direito naquele dia, pois eles estavam “impossíveis”.  Outros, dizendo que chegaram bem, conseguiu dar uma boa aula, mas foram para Educação Física e voltaram com “a corda toda”. Tudo isso tem de ser observado, pois serão aulas danificadas e sem aprendizagens, dificultando o trabalho. Por conseguinte, os professores das disciplinas “bases” trabalharão mais, terão de dar mais aulas de revisão ou provas de recuperação, pois durante todo o bimestre se viu um horário não favorável à aprendizagem. Resultado: Professor cansado e alunos desanimados.

Outra situação que vejo, são escolas jogando matérias de Língua Portuguesa e Matemática às sextas-feiras para alunos não faltarem. Confesso que ajuda a amenizar este problema, mas não resolve o problema de aprendizagem. As disciplinas têm de estar correlacionadas e organizadas de forma a levar ao aluno a entender que estamos na fase da interdisciplinaridade e multidisciplinaridade, ou seja, há conteúdos de Geografia que se correlacionam com História e esta com Literatura, por exemplo. Então, por que jogar matemática e depois Língua Portuguesa em um dia. Qual a relação? Vamos fazer diferente, que tal relacionar para as proximidades as correlatas? Como História, Literatura, Artes; Matemática, Física e Química.

Falei em meu último artigo que o professor tem de ser reflexivo para formarmos um aluno crítico e que possa mudar, para melhor, nossa sociedade, mas ele precisa “ligar” conteúdos e disciplinas e fazer em si, uma reflexão de cada assunto, uma reflexão de vida para a vida.

Sei que não conseguirão atingir todas as classes neste molde, mas podemos centralizar em classes que têm seus diagnósticos mais propícios a não aprendizagem. Assim, de certa forma, conseguiremos inserir uma visão mais abrangente e quebrar o mito de que apenas Língua Portuguesa e Matemática são importantes e as cruciais, podemos mostrá-los que uma disciplina está ligada diretamente à outra. Tenho certeza de que já ouviram de uma aluna quando estava falando de Geografia e mostrando um mapa que “a professora de História falou isso ou mostrou isso” ou “nossa! Igual em História, não é professora?”. Este conseguiu assimilar, mesmo com aulas em dias diferentes, mas outros poderão ter a mesma chance de enxergar mais, aprender mais, correlacionar mais e, por fim, refletir mais e, é isso que queremos.

 

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