ESCOLAS COM ÍNDICES GRAVES DE INDISCIPLINAS TÊM DIREÇÃO FRACA E PROFESSORES DESMOTIVADOS

FRENTE A FRENTE COM UM ALUNO “INDISCIPLINADO” – OLHA O QUE ACONTECEU…

ALUNO INDISCIPLINADO? – ENTENDA ESTE CASO

ESCOLAS COM ÍNDICES GRAVES DE INDISCIPLINAS TÊM DIREÇÃO FRACA E PROFESSORES DESMOTIVADOS

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O título deste artigo assusta, mas consegui comprovar depois de três anos visitando escolas e conversando com educadores de todo o país. Verifiquei escolas com índices bons em Desempenhos nacionais que metrificam a qualidade e aquelas que não têm. Muitas delas, ficam no mesmo raio geográfico, mas não conseguem progredir. Ficava sempre a indagação: por que isso acontece?

Fui anotando tudo que era feito e observando de como era feito, porque sabemos que falar até papagaio fala, mas fazer…

Em uma escola do interior, que tinha um renome muito grande, pública e recebia alunos de diversas cidades, anos atrás. A fama dela? Mais rígida e que ali ninguém brincava. Um prédio grande e preciso, e hoje se encontra com fama de uma das piores escolas para se estudar. Olha o que eu disse – ESTUDAR. Fui atrás de ex-alunos e conversei com os atuais e todos disseram e apontaram para o gestor. Isso só vem firmar o que venho dizendo há três anos em meus artigos: a escola é o reflexo do diretor.

Prosseguindo com as análises, indaguei aos antigos estudantes se gostavam de estudar naquela instituição: de 10 alunos, 9 disseram que não. Perguntei o motivo e responderam sem titubear, “é uma escola fria, sem muito contato com a gente. Estudávamos ali, porque não tínhamos opção”. Inclui dizendo se gostavam do jeito da direção, eles me responderam com bastante clareza e firmeza, “não gostávamos dela (diretora), mas a escola era bem rígida. Tínhamos medo dela”. A pergunta, agora, foi sobre a equipe de professores, eles falaram alguns nomes que marcaram suas vidas e o motivo, a afirmação era “ótimo professor, explicava bem e colocava disciplina na sala”. Fui além, perguntei sobre os demais professores, aqueles que não colocavam disciplina na sala, eles, com sorriso no rosto, dispararam que não sabiam o conteúdo e não tinham sua atenção.

Fiquei estupefato com as respostas, mas, hoje, eles são profissionais formados. São alunos de 10 anos atrás daquela instituição, alguns com filhos no colo. Muito bonito de se ver. Continuei minha investigação e perguntei se a escola está a mesma e se voltaram lá depois. Alguns disseram que sim, mas para pegar documentação, outros, sem muito esforço, soltaram o DEUS ME LIVRE. Eu arrepiei. Perguntei se a escola hoje está melhor que quando estudavam lá, pois a direção mudou. Todos responderam que piorou. Relataram muitas brigas e péssimos professores. E deixaram claro que farão esforço para colocarem seus filhos em uma escola particular.

Antes de ir aos alunos atuais, faço para vocês uma retrospectiva da escola. Há mais de 15 anos, havia uma diretora concursada na instituição. Tinha uma vice por designação, ali funcionava em tom de amizade, não de competência. Ao chegar próximo da aposentadoria, a diretora quase não aparecia. A vice teria de dar conta do recado sem reclamar, pois poderia voltar para a sala de aula, que também era péssima na função de professora. Ela até que segurava bem a escola, mas deixava a coordenação sem caminho e segmentação. As coordenadores passaram a comandar os professores e a controlar os alunos. Nesta equipe de coordenação, eram também designadas e ficaram sobrecarregadas, transformando-nas “bruxas” da escola. Uma delas não mais coordenava, mas mandava. A equipe de professores ficou horrorizada com as atitudes e como não tinham para quem recorrerem, começou a estagnar em seu ofício. Chegou a um certo ponto de alguns professores pedirem transferências, outros enfrentarem a coordenação e a escola virou um ponto de guerra e panelas. Quem seguia a coordenação como carneirinhos, tinha alguns benefícios, como a falta de acompanhamento pedagógico, mas quem não seguia, tudo era motivo de humilhações em reuniões pedagógicas. Um absurdo.

A vice diretora, quando chegou perto de sua aposentadoria, fez a mesma coisa da anterior. Se esquivou e ficou em casa. Não queria barulho e confusão. Limitou eventos de integração com a comunidade e deixou a coordenação ainda mais perdida e com mais poder. A escola chegou em duas panelas, vindas da coordenação como a turma do gosta e o do não gosta. A grande maioria dos professores não aprovavam a coordenação e não reconheciam a direção.

Com o passar do tempo, a vice se aposentou e abriu lugar para transferência de um diretor. Assim foi feito. O estado deferiu a transferência de um diretor que estava em uma escola para a outra, mas o inacreditável aconteceu: a escola piorou.

Com a chegada dele, os docentes acharam que colocaria ordem na bagunça, mas isso não aconteceu. Com a mesma coordenação e sem respaldo constitucional para colocar a escola nos trilhos, resolveu apenas sentar na cadeira de diretor e resolver problemas pontuais, como conversar com alunos e só. Trouxe uma nova vice diretora, designada, era professora da instituição, mas sem muito ânimo para mudanças. Na equipe de professores, mudaram alguns, mas a grande maioria já está na porta da aposentadoria. Isto é, poucos professores jovens, e quando têm, foram estudantes dali e sabem como funciona. Não que os veteranos não sejam ótimos, mas naquele ambiente já estão contaminados de alguma forma, então quanto menos trabalho, melhor.

Ao conversar com os alunos atuais, deparo-me com situações ainda mais absurdas. A direção pediu para eu falar com um dos alunos quem mais levou advertência no último ano. E acreditem se quiser: ele era o melhor aluno em outras escolas. O que aconteceu? Vamos lá. Peguei o histórico escolar do educando e liguei para as escolas onde estudou, nas duas últimas para situarem. Ambas diretoras disseram que é um excelente aluno. Uma das diretoras chegou a dizer que quiça era o melhor aluno da escola. Era o primeiro em tudo e os professores o elogiavam bastante nas reuniões pedagógicas. Fiquei totalmente perplexo com as informações, antes de conversar com ele, pedi uma reunião com a mediadora da escola, que muito atenciosa, respondeu-me tudo. A justificativa para ela da mudança radical do aluno foi devido a problemas familiares que influenciaram diretamente no comportamento do adolescente. Será? Perguntei se ela acredita que a escola também pode mudar o aluno e ela respondeu que não, pois aluno é aluno em qualquer lugar e quem quer estudar estuda em qualquer lugar. A escola é boa e tem uma boa estrutura. Pedi para ver a anotações e ela me deixou: o aluno tem em seu histórico brigas, indisciplinas e até desrespeito aos professores. Então, fui conversar com ele. Sem qualquer rótulo ou qualquer julgamento.

No ambiente escolar, realmente, ao entrar pela sala, percebi que tinha um ar de arrogância e, ao mesmo tempo, querendo mostrar para mim que tudo que for dito não mudará nada para ele. Momento difícil. Queria ler os pensamentos dele.

Vou colocar as perguntas e suas respostas abaixo e quero que você chegue em uma conclusão:

ENTREVISTA COM O ALUNO X

  1. Qual é o seu sonho?

Ao perguntar isso, ele arregalou os olhos e sorriu. Percebi um brilho diferente em seu olhar e um desarmamento na postura. Ele respondeu:

Quero ser jogador de futebol.

(Você, professor, já perguntou qual é o sonho do seu aluno?)

Conversamos sobre muitas coisas e comecei a perguntar das duas últimas escolas. Ele ficou fervilhando de emoção quando repassei os comentários das antigas diretoras. Juntei as repostas das perguntas e leiam na íntegra:

Elas são muito lindas. Adorava estudar lá. (perguntei o que mudou e o motivo de tantas advertências) – Lá gostava de estudar. Passei na 1ª fase das olimpíadas da Matemática e eles me elogiaram bastante. Eles me deram as provas anteriores da segunda. Aqui, eu participei também, mas quando fui pedir para a coordenadora as provas anteriores, ela disse que não tinha e para eu procurar na internet. Não tenho impressora em casa. Então desanimei. Fiz de qualquer jeito (…) as advertências? Eu briguei na sala, porque um menino lá da sala estava me xingando e eu falei para o professor, foi logo quando cheguei aqui, ele disse que estava ali para passar conteúdos e não para para com briguinhas, então, levantei e bati nele. Daí “se” sabe, né? Fiquei marcado pelos professores. Outro dia, a “fessora” estava digitando um texto e perguntei o que significava uma palavra, ela disse que quando terminasse, falaria. Ela terminou e não falou, eu perguntei de novo e ela olhou com muita raiva. Eu ri. Ela me mandou para fora. O diretor não me deu advertência. Deixou eu ficar fora da sala até chegar a hora de outra aula. Ela é uma burra. Sabe nada. Fica só ditando texto. Não explica e ainda coloca eu para fora! Só aqui mesmo! Daí ela falou para o diretor (amigos, ele não disse diretor, ele pronunciou o apelido dele. Resolvi não colocar) que eu disse que esta escola é uma bosta. Mas não disse que era uma bosta, disse que é por isso que esta escola é uma merda. Eles valorizam só os alunos que jogam aqui. Adorava ler, mas quando ia na biblioteca aqui era mal recebido. Aqui é o “ó”. Agora, tudo que faço, na verdade nem faço mais nada, porque prova, quando todo munda vai mal, que é sempre, as professoras refazem com a gente e aplica a mesma. Não preciso mais estudar. Então, quando eles pedem para abrir o caderno, eu não abro e eles me mandam para fora. Eu vou. Não aprendo nada mesmo.

Fiz um apanhado das melhores respostas. Após, juntei a mediadora novamente e repassei. Ela não ficou surpresa e só disse que todos os professores tentam fazer o melhor para os alunos. Disse que a escola é grande, salas numerosas e professores com excesso de aulas, tornam tudo mais difícil. Compreende que há falhas no processo, mas não se responsabiliza.

A conversa com outros alunos reafirmou o que o aluno “indisciplinado” disse, o diretor xinga os alunos de marginal para cima. Os professores não dão aulas e que as brigas nas escolas aumentaram nos últimos anos. As mães também reafirmaram e disseram que não vão às reuniões de pais, porque só os filhos são os errados. E quando vão indagar, é sempre as mesmas desculpas: o professor não dá conta.

Conversando com os professores, percebemos que retiram a responsabilidade sobre eles e repassam aos alunos. A resposta é sempre a mesma: os alunos estão sem Educação. Os pais deixaram nas nossas costas e não fazemos milagres. Uns até questionaram se eu leciono em escolas públicas, disse que sim. Estou na Educação Básica há 10 anos. Percebe que ali é uma escola que não vai trilhar um processo educacional de sucesso. Os índices avaliativos são razoáveis, mas os alunos disseram que eles dizem que se não formos bem, seremos reprovados. Lamentável!

Cidade vizinha, escola pública também. Os professores reclamam muito da direção escolar. Visitei e constatei uma inversão. Naquela, os professores disseram que a direção é super apoiadora nas ações e que ela dá uma grande liberdade ao ensinar. Além de confiar e acreditar na equipe. Nesta, os professores, nem todos, falam que a direção é truculenta e acompanha tudo, desde a cadernetas até a sala de aula. Mas todos dizem que é uma das poucas escolas que se consegue dar aula na região. Conversando com os alunos, disseram que os professores ensinam, e quando não ensinam, a diretora fica tanto no pé que eles acabam saindo. Não gostam da diretora por questão de levar a escola em braço de ferro, mas levantam a ideia de que é a melhor diretora que a escola já teve, pois briga por nossa merenda, com professores que não ensinam e nos ouve, apesar de irmos para fora quando realmente estamos errados. Fiquei admirado com a consciência deles. A escola não tem índice de violência e indisciplina. É a melhor escola da região e achei a mais limpa e linda. Bem decorada, murais bem feitos. Digno de uma boa gestão. Enquanto na anterior, salas bagunçadas, corredores sujos, pintura desgastada. Festa? Quando se diz em engajamento da família escola, vimos que os pais estão desistindo de ir à escola, por causa da gestão. Na última festa junina, ela teve um total de 100 participantes. Nesta última, atraiu cerca de 500. Lembrando que a primeira tem mais alunos que a segunda.

Outras escolas analisadas e observadas que têm um índice grande de violência, têm pontos em comum, vejam só:

1º Diretor não assume seu ofício:

Muitas vezes dando ordem para professores não enviarem alunos para fora ou incentivando a maquiagem das notas. Além de nunca estar nos momentos complicados, sendo de pouco acesso a sua equipe.

2º Coordenação sobrecarregada

Com apenas os afazeres do cargo já é difícil fazer, imagina quando o diretor deixa a cargo dela seus afazeres. Ocasionando uma interrupção em acompanhamento e formação dos professores.

3º Professores omissos

Muitas escolas, quando o professor entende que a direção não resolve nada e é ele quem precisa dar “jeito”, é melhor se omitir do que se colocar. Assim, deixa de fazer seu ofício com esmero. Consequência: Começa a explicar pela metade, provas fáceis, não se envolve com projetos que exija de si e ainda não “enxerga” o aluno, deixando correr solto a indisciplina e bullying.

4º Funcionários

Com a direção fora, com coordenação super abarrotada e professores omissos, os funcionários também começam a se desvincular. Isto significa, somem de vista, quando os procuram não acham. Salas sujas, alunos fora da sala e em qualquer lugar da escola, onde dá liberdade para trafegar drogas, bebidas e brigas.

Portanto, uma direção fraca, e quando digo fraca não é no sentido de força, mas no sentido de assegurar sua função, deixa a coordenação sem visão e sem saber o que realmente se faz em determinadas situações, e professores sem gás, entendendo que o que fizerem será em vão, então é melhor não fazer, chagando a uma desmotivação.

E agora? Você, gestor, está na hora de assumir a escola e colocá-la nos trilhos novamente para dar ao coordenador espaço para fazer sua função e respaldo ao professor para brilhar em sala.

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