DIRETOR, NÃO FAÇA DA SUA ESCOLA UM CONFRONTO, MAS, SIM, UM CONFLITO

DIRETOR, NÃO FAÇA DA SUA ESCOLA UM CONFRONTO, MAS, SIM, UM CONFLITO

 

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Parece estranho o que eu vou falar esta semana em meu artigo, mas será fundamental para tentarmos mudar nosso conceito de gestão e de democracia na escola. Fala-se muito em escola democrática, a qual eu acredito, porém a maneira que muitos diretores direcionam suas instituições faz com que vire um campo de confronto e não de conflito. Mas qual a diferença, tendo em vista que os dois trazem em sua etimologia a ação de discordarem? Temos de pensar mais amplo: a palavra confronto é usada em campos de guerra, onde, ao término, há sempre um perdedor e um ganhador. Na escola, não podemos criar grupos de confrontos, pois, em um primeiro momento, o grupo, que perdeu por ter determinada visão, ficará revoltado e poderá se firmar frente a outro grupo. Já falamos aqui, em meus artigos, que ainda levamos muito para o pessoal. Assim, o caos pode se instalar e a credibilidade da gestão poderá ficar em Xeque!

Em muitas reuniões, vi coordenadores e diretores fazendo votação por determinada ação da equipe e reafirmando com a frase “a maioria ganha, estamos em uma democracia” ou “vamos entrar em um consenso”. Quando se fala esta última frase, mostra-se claramente que é para evitar um confronto. Muitas vezes, a concordância de um não é sua visão, mas esta mesma quis evitar o confronto, pois já estava com certa mágoa de sua visão não ser seguida ou ouvida. Somos educadores e temos de lembrar que nenhuma visão é errônea. Então, que tal verificar o conflito?

No livro Política: para não ser um idiota, Renato Janine, ex-ministro da Educação e um dos grandes intelectuais do momento, situa dois tipos de conflitos:

1º que pode se resolver em diversas maneiras como: consultando um livro, por causa da divergência de um dado histórico, ou uma calculadora, quando não concordarem com o resultado de uma conta.

2º que diz respeito a valores e decisões. Ele comprova que neste uma das formas que o mundo desenvolveu para resolver é a democracia. “Vamos ao voto e a maioria vence”. É neste tipo de conflito que estamos trabalhando.

Ele, Janine, completa que o consenso se daria quando, em vez de votação, conseguíssemos aproximar os pontos de vista diferentes, chegando, talvez, à unanimidade. Mas é difícil e não pode ser imposta. Daí vem o trabalho real do coordenador e do diretor. Ambas visando em torno da aprendizagem do aluno e firmado no Plano Político Pedagógico. Não é o que eu acho e o que eu sei, mas é o que é melhor para minha equipe, (num debate, em um dos meus grupos de consultoria, falamos o que é trabalho em equipe) para meus alunos e para a aprendizagem. Só para concluir a ideia do Janine, ele traz a sugestão de que a ideia de um acordo que seja fruto de um processo de discussão e negociação seja relevante para a construção. Trouxe este exemplo, porque sou adepto a esta ideia. Se juntarmos a visão de um grupo e a de outro, poderíamos formar uma plataforma mais firme e compatível com o caminho que vamos percorrer e o objetivo que firmamos chegar.

No início deste artigo, falei sobre a escola democrática, que, por sua vez, é aquela que se baseia dentro de uma linha chamada Pedagogia Libertária ou Gestão Democrática em princípios democráticos, e que dentro dessas regras dá direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários. Com esta analogia, podemos concluir que o diretor, melhor do que ninguém, tem de saber direcionar olhares para pequenos, médios ou grandes grupos e fazer valer todas as visões. Por isso, que tal juntar visões e criar algo que possa mostrar a um grupo que sua visão não está errônea e, por conseguinte, este mesmo não desanimará, participando cada vez mais, e mostrar a outros que não há um perdedor ou um ganhador, há pessoas contribuindo para chegarmos ao mesmo objetivo: a qualidade educacional e a eficácia da aprendizagem do aluno.

Então, gestor, pare de fazer da “democracia”, votação, um caminho curto para resolver problemas, pois assim só acarretará mais problemas futuros. Faça do caminho longo, a discussão e a fusão de ideias, a caminhada certa e sem tremores. Assim, todos saberão onde estão pisando e com quem estão pisando, mas esteja certo de que a chegada será bem melhor do que ter em sua equipe dois grupos confrontando-se.

 

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