DIA DO PROFESSOR – NÓS NÃO TEMOS O QUE COMEMORAR

DIA DO PROFESSOR – NÓS NÃO TEMOS O QUE COMEMORAR

 

Dedicarei o meu artigo esta semana para mostrar que nós, professores, não temos o que comemorar. Nosso dia é 15 de outubro, mas como confraternizar um dia em que somos os demais 364 dias crucificados, apedrejados, golpeados e enganados por desGovernos, chamo assim, porque o que vemos são desmandos e não governo voltado ao desenvolvimento de uma sociedade, e desunião em nossa própria classe?

Um ano marcado por sangue derramado por professores do Paraná, falta de pagamento na Bahia e em outros estados, além da desvalorização gritante por nós mesmos, professores, e da própria sociedade para com nosso ofício. É lamentável chegar a um dia como esse tendo em nossa mente ações bárbaras para com a nossa profissão.

Esta semana o desgoverno do PSDB, Geraldo Alckmin, prendeu alguns professores e alunos que estavam manifestando a reestruturação de escolas no estado de São Paulo. Alckmin vem de mansinho há anos mostrando o que faria com a classe dos mestres e dos pilares da sociedade. Primeiro, transforma a carreira em sopa de letras e faz com uns tenham alguns benefícios e outros não. Após, coloca professores de Apoio em caso de falta de professor para não se contratar temporários, e a esculhambação vem como cavalo, professor de apoio de Arte dando aulas de Física ou de Biologia . É mole? Agora com a reestruturação, fechará praticamente 400 escolas e muitas virarão Ensino Integral para diminuir professores. O desemprego na classe vem como uma avalanche. Esses dias, eu vi um temporário comemorar que o governador tirou a duzentena, na verdade ampliando contrato, isto é, a cada dois anos o professor ficava fora um (ano), agora é a cada quatro anos, ele fica fora um. Mas como comemorar se a ideia é não precisar de temporário? Com a sopa de letras em São Paulo não se vê a união dos educadores e com isso não se faz uma greve de louvor e glória. Somos ridicularizados a todo instante.

Comemorar o dia dos professores neste lamaçal é cuspir e pisotear em nossa própria profissão e mostrar aos governadores que tudo está em perfeita ordem e progresso. Comemorar o dia dos professores é como mostrar a toda a sociedade que a Educação vai bem e obrigado. Está tudo errado.

Estamos em uma sociedade que passou a valorizar o “ter”, que identificou que a aprendizagem se dá em vários lugares, menos na escola. E o professor passou a ser um pai ou mãe substituto e não mais o detentor do saber. Quando falo isso, muitos entenderão erroneamente o meu comentário, mas quando digo sobre o saber, digo em relação à aprendizagem assimilada de forma contextualizada, onde o aluno saberá que aquilo transmitido e refletido pelo professor é viável em sua dimensão de vida. O professor não mais passa o conteúdo, mas faz refletir onde aplicar este conteúdo. Mas para quê? Se a aula no Youtube é melhor que a reflexão em sala. Se a apostila mastigada é melhor que a explicação do professor. O que parece é que estamos resistindo em uma sociedade que entende que não somos mais precisos. Pai e mãe que entendem a escola como um lugar para seu filho ficar e não desenvolver. Alunos que entendem que a escola é um lugar de bater papo e se relacionar de forma social e não mais se desenvolver. Governo que entende que escola precisa de computadores e não de professores. E o próprio professor entende que a sala de informática é melhor que sua voz e giz. Cadê o nosso papel? Onde está nossa importância?

Enquanto acharmos que o dia do professor é para ficarmos em casa e descansar de uma semana violenta contra nossa profissão é a melhor opção, digo que estamos sendo mais hipócritas que a nossa clientela. Temos de fazer valer a nossa profissão e mostrar que sem ela, não há a aprendizagem e manutenção da mesma. Enquanto acharmos que o dia do professor é para ficarmos em casa e descansar de alunos, pais, um sistema falido e um salário indigno, digo e repito que não temos o que comemorar. Um salário pago a nós como se fôssemos um bando de mendigos pedindo um dinheiro que é nosso. Pais dizendo que ganhamos muito para não fazer muita coisa, governo mostrando e confirmando que o professor está despreparado e sem perspectiva de ensinar. Salário vem do latim de Salarium Argentum, que significa pagamento em sal, uma substância rara e preciosa e muito cara que podia ser trocada por vários bens naquela época. E hoje o nosso “salário” apenas nos faz calar a boca por um sistema educacional voltado aos aparelhos, materiais e edifícios, só para ludibriar a sociedade, mas a essência está oca e corrompida. E quem poderá nos salvar de um abismo e desaparecimento de nossa profissão? Apenas nós, professores, que entendemos e damos o sangue para uma sociedade que não nos merecem, mas que inconscientemente pede por socorro.

Feliz dia do professor com muita reflexão.

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