A GESTÃO ESCOLAR TEM DE AJUDAR O PROFESSOR

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TEM ESCOLAS ACABANDO COM BONS PROFESSORES

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Em meu livro Diário de um Professor, falo sobre a importância de uma boa gestão educacional. Há anos que estamos batendo na mesma tecla sobre a Escola democrática e a relação de confronto entre professores e gestores dentro de uma escola. Isso é ruim em todos os sentidos. Recebo diversos e-mails de professores relatando sobre ações que recebem de coordenação despreparada ou até intencionada para abater, este sé o melhor termo, sobre o trabalho desenvolvido pelo Educador.

Também defendo que para o professor desenvolver um belo trabalho se faz necessário um engajamento positivo da gestão e um caminhar em conjunto para atingir o mesmo objetivo: a qualidade de educação aos nossos alunos.

Eu mesmo já fui massacrado por coordenação ou gestão que não tinha visão educacional ou que prefere deixar a escola na forma mais tradicional: aluno em sala e com lousa e giz. Quando pegamos gestores que acompanham o processo educacional, sempre sou bem vindo, mas quando pegamos uma gestão amarrada em “didáticas” de como aprendeu e de como acha que deve ser, fico realmente em uma corda bamba, onde que me mandar para longe é a melhor medida.

Em algumas escolas que faço consultoria, de 10 em cada 10 têm problemas entre esta mão única: Direção / coordenação / professor, pois se a gestão tem uma visão mais moderna de que trabalhos extras podem conceituar e melhor problematizar os conteúdos que devem ser explanados em sala, se tiver um professor que está acostumado em trabalhar com o livro didático e acha que tem de entrar, dar o seu recado, meia boca, sair e pronto, há problemas inimagináveis, pois quando chegar o momento de abraçar qualquer projeto que tenha na sua raiz um modo mais concreto de participação, o confronto está armado. Há também escola que tem o confronto no inverso desta relação, professor entende que trabalhos extras podem ser aproveitados da melhor forma de crescimento e a gestão entende que o aluno tem de ficar na sala e pronto. O desconforto é quase certo.

Nas duas situações, vem o que sempre chamo de adaptação. O novo pode assustar e muito, mas ambas as partes têm de saber ouvir e entender o posicionamento de cada um. O conflito sempre é bem vindo para o crescimento na instituição, mas o confronto não pode acontecer na escola. Já escrevi em um dos meus artigos sobre esta real diferença na prática.

Não sei se consegui explicar bem esta relação, o fato é que na maioria das escolas do país, a gestão que está prestes a se aposentar, ou que já tem muito tempo no seu ofício, principalmente as públicas, não querem trabalho. Não querem ouvir barulho e muito menos “perder” um pouco de seu tempo acompanhando atividades que exigem maior concentração de profissionais. Esses diretores e coordenadores, na maioria das vezes, são eletivos e concursados. O que isso significa? Os efetivos são quase impossíveis uma adaptação, tendo em vista que a frase: aqui sempre foi assim, professor. Acostume-se ou mude de escola, é proliferada. Quando iniciei minha carreira, trabalhava em três escolas, onde duas me apoiavam meu método de ensino e uma não. Aquelas, com o meu projeto na mão, e muitas vezes tendo uma explanação breve do que pretendia realizar e o efeito que daria nos alunos, davam todo o apoio. Mas esta, não queria saber. O fato de passar pelo corredor e ouvir vozes na sala era sinônimo de bagunça. Não apoiava projetos interdisciplinares e muito menos projetos que davam ao aluno uma notoriedade de habilidades jamais enxergadas por trás das carteiras. Protagonismo? Esta palavra era conhecida se o mesmo fosse um aluno que dizia amém para tudo e para todos.

A semelhança das três é que eram públicas, a diferença é que as duas primeiras tinham uma gestão de engajamento coletivo e a última, cada um faça o seu trabalho e pronto. Para onde as levaram? As duas primeiras quando os alunos saem, sentem falta e, muitas vezes, fazem visitas após o término e ou dão palestras sobre a profissão que escolheu. Além de subir o índice de Desenvolvimento da Educação. A última encontra dificuldades para ter profissionais de ex alunos e ainda perde no Índice, tendo de boicotar a aplicação, ajudando os alunos. Nas duas primeiras, a disciplina e a harmonia entre todos são mais visíveis, já na última, a indisciplina beira a desvalorização do profissional, vinda ora dos pais, ora dos alunos. Além de confrontos diretos entre alunos e gestão. Péssimos eventos, quando querem organizar e uma falta de harmonia na relação ensino-aprendizagem.

A escola é o reflexo da gestão. Se a direção não quer trabalho, o professor também não, os alunos são mal aproveitados e se dá o estilo “feijão com arroz” de conteúdos, quando chega alguém com estilo diferente, é abafado ou martelado para que entre no eixo e não tenha “problemas”. Assim, acaba-se com este profissional.

Muitos professores desistem da escola, não pelos alunos, mas por ver dificuldades em exercer seu ofício com acompanhamento efetivo de uma gestão aberta a auxiliá-lo no que precisar para desempenhar o seu papel. Professor que conhece apenas uma escola, tende a se fechar e entrar no ritmo da mesma para continuar, do contrário, pede sua exoneração. Eu já trabalhei em diversas escolas, tanto públicas e particulares, já vi diversos tipos de gestão e por isso que continuo na área, sei que ainda tem profissionais nos apoiando em sala. Naquelas que não aconteciam isto, eu me demitia ou saía. Mas vi muitos colegas, exonerando e buscando outras áreas para se manterem na vida, devido a estas condições vivenciadas.

Vejo teóricos sempre falando que precisamos de professores melhores na rede e com mais formação, mas quando há, muitas escolas fazem questão de expulsá-los. Precisamos de formação para a gestão. Uma rápida sondagem em escolas que não progridem e, quiçá, a substituição destes profissionais.

Quando mais novo, sofria muito em algumas escolas. Tinha a convicção de que poderia ajudar e muito os alunos que terão pela frente poucas oportunidades abertas e que os mesmos têm de abri-las para serem inseridas em um mundo. Ficava estupefato em observar gestão acabando com bons professores de forma tão cruel e sem amor a instituição. Muitos chegam a se acharem o “todo poderoso” por ser diretor e dizer em alto e bom tom que quem manda é ele. Que lamentável! Professores com gás para fazer e acontecer são jogados ao fogo e queimados vivos, transformando-os em eternos professores zumbis, que vão onde mandam.

A escola particular não fica muito atrás disso. Focados nos vestibulares, entendem que o aluno precisa ter conteúdos sendo jogados na mente dos alunos o tempo todo e qualquer projeto extra ou que tenha uma trabalho braçal e condenado. Em todas as escolas particulares que trabalhei, foi raro ter uma gestão que não entendesse minha visão, pois quando me contratavam já era pelo que havia feito em outras instituições. Era convidado para lecionar nestas escolas, mas tive, sim, alguns contratempos.

Antes de colocar em prática o projeto, desenvolvo-o com todas as habilidades e competências que serão desenvolvidas, apresento aos alunos, depois tenho uma reunião com a gestão e explano. Quando inicio, percebo que a aprovação é um teste e, muitas vezes, a gestão acredita que o projeto não vai vingar, mas à medida que o tempo passa, verificam que as expectativas foram superadas. Eu também fico muito feliz com tudo que eles, alunos, me mostram.

Já fiz como professor de Literatura, projetos que para a prática ocorrer, precisa de muito conhecimento e planejamento: Como a semana de arte moderna, o Jornal Literário, Desafio Literário, A terceira margem do Rio, O Seriado, Twitter na Redação e muito mais.

Nestes projetos, consegui visualizar o aluno como um todo. Percebi e o próprio aluno conseguiu descobrir do que gosta e assimilar com o que quer fazer. É na prática que entendemos o que podemos fazer e a nossa magnitude do pensar para onde pode nos levar.

Não paro nas dificuldades, mas têm professores com medo de serem mandados embora ou terem um desconforto param no caminho e nada acontece. Que escola é esta que não incentiva o professor? Aluno é aluno em qualquer lugar. O professor ganha respeito quando é respeitado pelo coordenador, valorizado pelo diretor e acompanhado pelo supervisor. Isso aparente, chega ao aluno que passa a vê-lo também com outros olhos. Assim diminui a indisciplina, pois o aluno entende que ele realmente o enxerga e que o vai transformar.

Então, escolas, não acabem com bons professores. Dê a ele o que precisa para fazer o seu bom trabalho. Se ele se sente seguro, vai produzir mais e ajudar estes alunos a realizarem os seus sonhos.

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