CLAUDIO DE MOURA CASTRO FORA DO PADRÃO E FORA QUESTÃO?

CLAUDIO DE MOURA CASTRO FORA DO PADRÃO E FORA QUESTÃO?

Claudio de Moura Castro, economista. (sem data)
Claudio de Moura Castro, economista.
(sem data)

Estava em viagem e recebia inúmeros e-mails e mensagens de texto com a foto do artigo, “Professor ganha mal?”, publicada na Revista Veja pelo Economista Claudio de Moura Castro. Vale lembrar que lia a Revista Veja por muitos anos, mas este hábito foi deixado de lado, quando percebi que os articulistas nada contribuíam para meu crescimento. Acho que muita gente entendeu isto, por isso o grupo Abril está passando pelos seus piores momentos em vendas. Dizem as más línguas, que faliu. Por que será?

Mas, voltando ao nosso assunto desta semana, Claudio de Moura Castro está fora do padrão ou fora de questão? Acho que os dois, entendi tudo o que o economista da Veja relatou, mas não compreendo como um homem que presidiu a CAPES, perdeu seu tempo em escrever algo que ele não deu conta? Digo isso, porque ele diz que os professores dão péssimas aulas e outros pesquisadores jogam a péssima qualidade na formação do professor. Já trabalhei com doutores em escolas públicas e, sinceramente, não conseguem desenvolver bons trabalhos. Agora, fico indagando todos os dias uma coisa: se todos estes pesquisadores, muitos não enfrentaram a Educação Básica como sobrevivência, dizem que os professores são péssimos, isso só remete a um pensamento, a péssima qualidade não está na Educação básica, mas na Educação Superior, pois são estes, professores de nível superior, que orientam e passam seus conhecimentos para que o aluno saia preparado para lecionar nas escolas e fazer um bom trabalho.

Uma vez, discutindo sobre este meu pensamento com um professor que lecionava comigo em uma faculdade, ele discordou e disse que os professores de níveis superiores são bons e os melhores, então, qual o motivo real dos professores, que estudaram antes de irem para as escolas serem péssimos se estudam com os melhores? Cheguei em uma nova conclusão: deve ser pelo motivo dos professores da Educação Superior, na sua grande maioria, não terem frequentado em nenhum momento a Educação básica, ora sendo como aluno, ora como professor. Então, fazer mestrado se atrelando à questões restritas em suas pesquisas ou doutorado é fácil, mas mostrar ao aluno, que será professor amanhã, o seu grande desafio será totalmente impossível, pois como ensinar cozinhar, se nunca fez um arroz?

Vou mais além, se eles, professores de nível superior, são ruins, como seus artigos podem ser bons? Como podemos adotar uma linha de algum pesquisador que nunca enfrentou uma sala de aula? Ser professor da Educação Básica está ficando um pouco chato, pois todo mundo quer dar “pitaco” em nosso trabalho. A ideia que se tem é que todos são melhores, menos o professor, que todos são capazes, menos o professor.

O economista, Claudio de Moura, em seu artigo, mais parece um discurso feito pelo Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz que oneramos os cofres públicos. Mas, quando trabalhava na Rede Pública de São Paulo, trabalhava 40 horas, mais algumas em casa para estudos, atualizações e correções de avaliações, chegando a 60 horas semanais, com um salário de R$ 2.000,00, eu onero este orçamento com livros e cursos que pago com o meu dinheiro, meus primos que têm outra profissão riam de mim por ganhar menos que eles e estudar mais. Lembrando que estamos a cada 50 minutos com cerca de 45 alunos e, em muitas regiões, até mais, em salas sem ventilação, proibidos de comer merenda, pois o estado prefere jogar fora do que, também, fornecer para os educadores, sem geladeiras para conservação da comida ou ainda micro-ondas para esquentá-las. Com a péssima alimentação, com ambiente de extremo calor e contato sem muito cuidado, quero ver quem não fica doente, daí as licenças médicas. Melhorar o dinamismo de trabalho do professor não é uma questão de luxo, mas de extrema necessidade, pois sairia muito mais barato, já que é economista, de fornecer as ferramentas necessárias do que afastar um professor.

É capaz de alguém ler este artigo e entender que queremos uma cozinha pronta para nós, achando que queremos luxo, de jeito nenhum. Luxo é um deputado que ganha salários altíssimos e assessores para ajudar fazer papelada. Luxo é um governador que utiliza de transporte pagos por nós, sendo que o professor ganha R$ 17,00 de transporte/mês e ainda utiliza o seu carro. Luxo? É ver que em qualquer repartição pública falta cargas para impressoras e na escola vir com meta para impressão, enquanto isso os políticos, quando faltam em seus respectivos escritórios, bancados por nós, imprime fora e ainda manda a nota para ser reembolsado.

Quanto a sua pergunta feita no início de seu artigo: PROFESSOR GANHA MAL? Eu respondo com muita clareza. Não é mau, é péssimo. Pense que um pai de família, ganhe este salário citado acima e tem estados que é muito menos, tem que distribuir entre contas, família, carro, combustível, material de apoio e ainda livros, será que ganha bem? Além de ouvir de todos o que ele tem de fazer e como fazer. Ou ler, depois de todo sacrifício, uma reportagem de alguém que nunca estudou em escola pública, ou foi professor dela, que ele é como um “marajá”, porque faltou só isto para escrever.

Não quero desafiar estes “mestres e doutores” que nunca ensinaram na Educação Básica para virem lecionar, porque penso em meus alunos. Seria, realmente um caos, pois eles na educação superior, onde o aluno já está mais maduro e já sabe o que fazer, não estão dando conta de ensinar de verdade, imagina em nossa rotina, onde o aluno tem uma desestrutura familiar, não está formado e maduro, vem enfrentando o professor. Aí, sim, a escola estaria perdida.

Termino com um recado aos professores, coordenadores e diretores da Educação Básica, vamos parar de dar importância a estes artiguinhos que culminam nossa sociedade a se rebelarem contra nós, vamos nos unir e mostrar aos alunos e às famílias que a única pessoa que está ao lado deles, somos nós, pois compreendemos de suas angústias, vivenciamos seus conflitos e sempre tentamos juntar forças para serem melhores e mudar a vida das pessoas.

 

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