ARTIGO: ALEX DISCORDOU DE FERRÉZ

“NA MORAL? FERRÉZ ESTÁ DESCONEXO COM O ENSINO DA LITERATURA NA ESCOLA!”

ESCRITOR E PROFESSOR ALEX DE FRANÇA ALELUIA DISCORDOU DE FERRÉZ PERANTE O ENSINO DA LITERATURA

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Na última quinta feira, vários representantes da literatura e da música estavam, no programa comandado por Pedro Bial, NA MORAL. A ideia era discutir variações da Língua Portuguesa e vários assuntos foram abordados.

O programa tem como objetivo, de um modo dinâmico, tentar discutir assuntos polêmicos de nossa sociedade. O programa consegue alcançar o que se tem como intuito, mas muito dinamismo pode acabar afetando o conteúdo discutido, pois pode haver falas soltas e sem uma referência. Com consequência, entendimentos diversificados.

Alex de França Aleluia, escritor e professor de Gramática, Literatura e Redação avaliou o programa como bom, mas criticou algumas falas do escritor do Capão Redondo, Ferréz que disse que “os moleques não aprendem a vida dos autores na escola…”. Segundo ele, o Ensino Médio tem uma disciplina pensante, a Literatura. Ele se refere em pensante, porque a Literatura é uma reflexão do momento histórico-social de uma sociedade. E o ensino da vida dos escritores é fundamental para entender o estilo de escrita e de vivência de personagens. “A fala do escritor está totalmente desconexa com o ensino de Literatura na escola”, concluiu o escritor Alex em sua rede social, @profalexdfranca.

Outra fala que chamou a atenção do professor é que o Ferréz disse que os alunos não se sentem motivados a irem para a escola, pois estão muito à frente, enquanto o professor e a escola já estão ultrapassados, ainda com o giz. Alex afirma que a desmotivação vai muito além disso, pois a Educação vive um momento de decadência como um todo. E como o tema era sobre a Língua, pode dar a entender que esta desmotivação vem por parte de professores que tentam ensinar a matéria.

Outra situação de duplo sentido é que ele, Ferréz, disse que quando visita as escolas, percebe que “as mina e os moleques” ficam mais atentos quando fala no mesmo nível de linguagem. Alex explica que quando se dá uma palestra, você tem de se adequar ao nível de linguagem do público, isto é, dependendo de seu público, você altera seus signos para que haja a melhor comunicação.

O fato é que o professor de Língua Portuguesa, nas escolas, tem como objetivo de ensinar a língua padrão, já que esta é uma ferramenta necessária para que o educando saiba atingir vários patamares sociais, visto que a elite se utiliza da língua para se manter em uma camada social elevada. E esta seria uma “senha” para que os excluídos possam se comunicar e se estabelecer nessa.

Um exemplo, que explicaria a tese acima, é um jovem da periferia que pleiteia uma vaga de administração em uma empresa multinacional, caso chegue falando “as minas… moleques… noiz que tá… e por diante” não consegue se estabilizar neste emprego, pois a classe social a qual trabalhará estará muito elevada e que precisará saber da norma culta para cultivar o emprego e se estabelecer uma comunicação.

A variação linguística se dá pelo emissor que deverá analisar o receptor, porque de acordo com seu nível escolar e cultural, a linguagem será adaptada para se estabelecer a comunicação.

E como temos um país com diversas culturas e classes sociais, a língua vem estabelecer um padrão a ser seguido, pois não importa de onde vem, a regra será usada para todos e ficará mais fácil a comunicação.

Alex critica também as falas de outros participantes, mas complementa de que a modificação da língua se faz necessária, pois a língua só é o que a sociedade é. A língua muda se a sociedade muda.

Porém o professor sempre terá este papel: fazer com que o educando consiga se comunicar com várias culturas e classes sociais.

O professor termina dizendo que os educadores do Brasil têm de sempre estarem “ligados” nestes programas, pois quando podem, jogam a responsabilidade no professor. Afirma ainda  que quando se fala de algo, precisa estudar mais, pois escrever, todo mundo sabe e consegue, mas pensar são para poucos. E é difícil o aprendizado da língua, porque o ser humano é apto a falar, não a escrever, portanto a fala é mais importante do que a escrita e que a última representa a fala.

 

 

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4 opiniões sobre “ARTIGO: ALEX DISCORDOU DE FERRÉZ”

  1. Bem interessante o artigo, o que nos é passado dentro da escola é aquele pensamento pré fabricado e normativo, quando se “discute” a vida desses autores é somente passado aos alunos uma ideia pré fabricada, o que na minha opinião acontece nos mais diversos assuntos ensinados dentro da escola de base.
    Quanto a modificação da linguagem a tentativa de atrair o jovem para as aulas através de uma linguagem coloquial é algo que o governo do estado de SP (aonde eu moro e estudei dentro da rede pública) vem adotando periodicamente (não com muito exito), porém o mais importante além de passar a linguagem culta para os alunos é começar a despertar o senso critico, pois ao contrário do que dizem os alunos ainda continuam saindo em um nível de analfabetismo muito grande das escolas e não é aquele analfabetismo de não saber ler e escrever é o analfabetismo funcional, que é muito mais nocivo para nós que vivemos em sociedade.

  2. EU SEI QUE TEM PROFESSORES QUE HONRRA SUA CLASSE MAS TEM OUTROS QUE ERA MELHOR NAO EXISTIR E QUE NAO SERVE NEM PARA FALAR COM QUALQUER PESSOA MESMO SENDO ESSA PESSOA OS ALUNOS QUE DAR OS MEUS PARABENS AO PROFESSOR E ESCRITOR ALEX PELA SUA OBSERVAÇAOE COMO SERIA BOM QUE NAS SESCOLAS PUBLICAS EXISTISSE PROFESSORES TAO OU QUASE IGUAL AVC QUERO DEIXAR AQUI MEUS CUMPRIIMENTOS .

  3. Sou advogada e estudei todo ensino fundamental e médio em escola pública. Moro na periferia de São Paulo e já dei aula em escolas Estaduais. Acredito que os professores precisam adotar uma nova maneira de dar aulas. Fazer sim o aluno se interessar pela norma culta para galgar um bom emprego, por exemplo, mas nada impede que o professor possa passar isso de maneira mais leve e se utilizando também da linguagem da periferia. Por que não?
    Fiz isso e percebi que meus alunos se interessavam mais pelas aulas.
    Era muito interessante como eles prestavam mais atenção quando falava a mesma “linguagem” e fico feliz por poder dizer que todos os meus ex-alunos têm usado atualmente a forma culta de falar, estão empregados e com formação superior, além do que se interessam pela leitura.
    Ainda hoje, para falar com os mais jovens e até entre os meus ainda falo algumas gírias, coisa que jamais fiz em meu trabalho.
    Então aquela velha frase: “O que se faz em casa, vai á praça”, não serve pra mim. Cada comportamento tem sua hora e lugar e é isso que o jovem precisa aprender.

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